sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

FIM DE CAPÍTULO




A vida se faz é caminhando, aprendendo, sorrindo, com o coração aberto ao novo e a vontade de tentar uma vez mais. Haverá sempre um dia difícil, pessoas difíceis, problemas demasiadamente complicados. Viver exige flexibilidade. Viver é movimento. Pessoas que chegam e outras que saem de nossa vida. Ideias que surgem, planos que fracassam. No inesperado é que a vida se faz, na bagunça de nossas memórias, nos afetos e perfumes que guardamos. Cada final de ano é isso, esse desejo de novos rumos, essa vontade que a sorte mude, que o amor chegue, que haja prosperidade, que venha a mudança. Gosto da cronologia por nos permitir essas pausas no correr da vida. E no trânsito de um ano para outro, nos dispomos a tentar novos caminhos, a fazer diferente, a sermos melhores. Precisamos sim vez ou outra fazer um pequeno momento de análise da pessoa que somos. Mas precisamos trabalhar para que os desejos de mudança se tornem ferramentas de uma vida. Tudo aqui é tão breve! E nos apegamos tanto a inutilidades. Perdemos tempo e energia com pessoas desnecessárias, alimentamos rancores, deixamos os sentimentos escondidos com medo de possíveis decepções, fingimos afetos, nos aproximamos de pessoas virtuais e esquecemos os que estão conosco todos os dias. Criamos para nós protótipos de alguém que gostaríamos que fossemos, enganamos a nós mesmos e assim a vida se passa. Desejo sabedoria para o novo ano, que não nos falte a sensibilidade para amar, compreender, perdoar, cuidar. Que possamos experimentar sempre mais a beleza das coisas simples e por vezes esquecidas. Até breve! 

CARLOS BELO

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

CUIDADOS

POR CARLOS BELO
"Doze Girassóis numa jarra" Van Gogh


Tenho aprendido a valorizar pessoas. Acredito que um dos maiores desafios da modernidade contemporânea é esse- manter as pessoas por perto, fazer um amigo se sentir seguro. Cuidar das pessoas com amor, não tratar as pessoas como objetos. Ninguém estará disponível para nós o tempo todo se não cuidamos, se não pedimos perdão, se não cedemos um pouco às vezes. Também não podemos esquecer de que nossa vida é efêmera, não posso perder meus dias alimentando ódios ou desamores. É sabedoria deixar ir quem precisa ir. Dizer o quanto cada um que tem um pedaço de nosso coração é importante para nós. Ter laços, afetos, ter quem abraçar. Quantos amigos e amores a gente não perde por egoísmo? Somos ensinados a mentir o tempo todo, fingir que estamos bem. Teoricamente ninguém está disposto a ouvir nossos lamentos. Mas existem, sim, pessoas disponíveis. Passei por muita coisa na vida, ainda vou passar outras tantas, eu sei. Mas não houve amor em vão, todo bem que ofereço ao outro, por menor que seja, é também a mim ofertado. Cultivo meu jardim. Tem dias que  sinto o vento favorável e me lanço ao mar, outrora preciso de abrigos, silêncios, compreensão. Mas tenho aprendido a ter mais cuidado com as pessoas, ter mais cuidado comigo. Pois quando chegar o grande e definitivo hiato precisamos ter vivido. Então precisamos Viver!