sábado, 15 de outubro de 2016

Notas Sobre Uma Amiga

Por: JESSY ALMEIDA


Conheço uma moça que parece poesia, daquelas bem complexas, que quase ninguém entende.
Não sei dizer como ela é ao certo, se é inverno, verão, outono ou primavera, se já é flor ou ainda não desabrochou, se é grão de areia ou mar.
O que sei é que ela por onde passa vai devastando tudo, como um tsunami, um tsunami de dúvidas que ninguém é capaz de explicar.
Ela quase sempre acorda com uma vontade enorme de desistir, mas quando vai dormir se enche de vontade de tentar, as vezes esta chorando e se desata a rir, todas as perguntas que a fazem ela não sabe responder, as vezes sabe, mas nem ela sabe disso.
Sua mente vive um momento perturbado, com todas as questões existenciais mais comuns ao ser humano.
É que ela queria que aqueles sonhos fossem reais, que a faculdade na realidade fosse uma viagem divertida e que acordar cedo fosse uma opção e não uma obrigação diária.
É que ela queria ter a coragem de largar tudo, viajar o mundo e ser feliz.
E ao mesmo tempo ela não queria nada disso, só queria um tempinho, para ficar sozinha sem ouvir a ladainha dessa gente chata e sem amor.
É que mesmo ela tendo dúvidas ela também tem certezas e sabe que vale a pena aguentar um pouco mais nesse mundo tão grande e cheio de vida a ser vivida.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

RESUMOS DE AFETOS E LIKES


POR CARLOS BELO


Para que a liberdade do encontro aconteça, desapego e paciência são fundamentais, todo processo de liberdade exige riscos e abismos. Ser livre é ser disposto a viver. Por isso comece sempre deixando para trás, coisas, lugares, pessoas. É, pessoas também precisam ser deixadas. Quantos já foram embora de nossas vidas e mesmo assim ainda conservamos seus lugares na mesa de nosso coração? Quantos sofrimentos, angústias, likes. Quantas mentiras virtuais jogadas em nossas carências... Meu Deus! A situação emocional de nossa geração não anda nada bem. Amar é diferente. Não que a vida virtual seja um demônio de sete cabeças que precisa ser destruído, mas se não soubermos dosar o uso das redes, seremos condenados à alienação e aos dessabores de quem vive sem ninguém. Precisamos de livros, de música, cheiros, toque, pele. Precisamos de momentos de silêncio com as pessoas que amamos. o amor precisa ser cuidado, longe de postagens açucaradas e escancaradamente frágeis. Aliás, muitos amores eternos tem durando menos do que uma foto no Snapchat. Amar é brisa leve em nossa alma, mas também é sacrífico e hoje em dia pouca gente se preocupa com o outro. estamos sempre voltados para o centro do nosso mundinho.  É no cuidado com o semelhante que podemos encontar braços dispostos a se juntarem aos nossos e dentro desse encontro sintonizarmos os corações. Peça perdão quando necessário, exponha seu afeto na presença física do outro, acredite, estamos todos carecidos de calor humano. Desligue o celular, sempre tem alguém querendo saber como realmente foi seu dia. Ligue e o celular e telefone! use SMS ,surpreenda  as pessoas com coisas mais intimistas, coisas que aproximem. Cuide bem de quem você quer bem. O tempo de amar não precisa de likes nem de olhares cuiriosos de gente que não tá nem aí pra sua felicidade.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

CARPE DIEM

Por Carlos Belo
FOTO: CARLOS BELO

A vida não deve ser desperdiçada, é preciso colher a delicadeza, sentir o pulsar dos dias, permitir-se sorrir mais, se emocionar mais, sair da mesmice, ultrapassar os limites. Não queira viver cumprindo agendas, viver extrapola qualquer prévio planejamento, a vida acontece é no acaso, no tempinho livre, nas horas de descuido. Não que devamos largar tudo e sair por aí cantarolando, mas precisamos caminhar cientes de que a vida não está resumida em dinheiro, trabalho, contas, planilhas e ritos. A vida nos espera no dia que resolvemos encontrar um amigo, no dia que juntamos as coisas para uma viagem, no tempo gasto com leituras, na música que nos faz transcender no tempo. Vivemos quando abraçamos alguém querido, quando oferecemos o perdão, quando partilhamos um sorriso, ou quando ofertamos um ombro a quem precise chorar, um colo a quem precise de descanso. Viver exige a leveza daqueles que sabem que tudo é transitório: os dias de sol sempre terminam, assim como a chuva sempre passa. Mas há flores nos caminhos, observe mais o mundo, somos parte de um gigante e delicado equilíbrio. viver é dançar ao vento, espalhar amor, aproveitar o tempo. Colecionar memórias, deixar marcas. É um risco muito alto. Mas só quem se atreve a experimentar a loucura pode, de fato, viver.