sexta-feira, 20 de novembro de 2015

TODAS AS COISAS QUE PERDEU


POR JESSY ALMEIDA



Costumava acordar cedo todos os dias, preparar o corpo e a alma para recebe-lo.
Colocava seu melhor sorriso e com muito amor dizia: Bom dia!
Costumava ligar todas as noites antes de dormir só pra ouvir aquela voz, na esperaça de ouvir palavras que lhe acalmassem o coração.
Costumava dormir tarde todas as noites à sua espera, pois só com sua chegada dormiria tranquila.
Costumava falar besteiras, fazer palhaçadas só pra ganhar um sorriso. 
Costumava se preocupar, se doar, amar. Amava de todo coração.
Havia muitas coisas que costumava fazer sem esperar nada em troca, só por aquilo deixa-la feliz. 
Havia muitas coisas que ela quis fazer, coisas lindas que guardou pra si mesma na caixa dos desejos perdidos. 
Eis que chegou o fim, o tempo de "costumes" acabou...
...e junto com ela foi embora todo o amor.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

SOBRE ESTRADAS



POR CARLOS BELO




“uma estrada é deserta por dois motivos: por abandono ou por desprezo.”

Podemos usar esse verso de Bandeira para fazermos uma ponte com a vida do homem-ilha contemporâneo, cada vez mais esquecido de si mesmo, pasmo diante da tela de uma nova invenção. E são tantas as invenções que o homem termina perdido de si mesmo, caindo no esquecimento, o desprezo parece inevitável decreto da tecnologia que insiste em cada vez mais despir o homem de sua sacralidade. Sacralidade esta que chamamos de humanidade. Parecem conceitos controvertidos: humanidade e humanização, mas merecem nosso cuidado. Estamos em risco iminente de perdermos a sensibilidade, a fragilidade própria de nossa condição humana. Somos ensinados a nunca revelar nossas fragilidades e desprezar as fraquezas do mundo, o poeta ao contrário do que nos ensinam, faz das fragilidades humanas objeto de criação, valor imensurável para que o encantamento aconteça. O poeta procura o divino no meio da fragilidade humana.