sábado, 27 de fevereiro de 2016

ESTAÇÕES, SILÊNCIOS E SABEDORIA

Por Carlos Belo


Foto: Carlos Belo

Que a vida é um belo trem, daqueles que passam depressa, daqueles que permitem as chegadas e os encontros, abraços e amores, mas também as idas, promessas de retorno, despedidas e saudades. A vida é esse seguir sempre. movimento, incompletude, vontades. Cabe a nós a ousadia de querer viajar, de não se contentar com apenas parte da história. Temos dores e sofrimentos, mas temos o aprendizado, o silêncio que ensina, que fortalece, tem o comtemplar o caminho e cada um que passa por nós. Na correria da vida, muitas vezes é necessário parar. voltar-se para o caminho já percorrido, libertar-se de culpas, medos, ódios e preencher-se de amor, mansidão e agradecer o mistério que é viver.
Eu quero amar, identificar no outro as qualidades e defeitos que permitam o encontro, o abraço, o calor de quem também está na luta de não ser apenas um mero passageiro dessa viagem. Eu quero a delícia das coisas mais simples, como disse o poeta. Quero vez enquando parar para desocupar espaços, doar livros e roupas, reorganizar meus pertences, descobrir o que de fato me pertence. Quero a surpresa de poder perdoar, de encontrar gente que tenha tempo para um café sem exageros literários. Quero falar em poesia sem ao menos pensar em acadêmicos e seus tolos desejos de medir a sabedoria, A sabedoria que inexiste nos livros. Sabedoria é diferente, é essa coisa tímida que respeita os passarinhos, acha graça no passar dos relógios e nos permite caminhar com o coração leve e alma iluminada.

P.S.: Esse texto resume minhas impressões da Leitura de "O pequeno filósofo" de Gabriel Chalita.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

AME TAMBÉM MEU LADO RUIM

Por: JESSY ALMEIDA


Amar alguém na balada de sábado a noite é muito fácil,onde todos estão com suas melhores roupas, seus melhores sorrisos e com suas melhores máscaras.
Eu só me permito ser amada por alguém que vá muito além de tudo isso.
Para me amar é preciso aprender amar o caos que se encontra em mim. Tem que me amar não só quando estou feliz e fazendo todos a minha volta rirem, mas também quando não estou bem, com raiva do mundo e sem a menor vontade de sair de casa. Tem que amar minha risada escandalosa, meu tom de voz exagerado e minhas noites de porre.
Para me amar tem que aprender a me amar nas segundas feiras de ressaca, com a maquiagem borrada e o cabelo bagunçado. Tem que amar quando sou carinhosa, falo "Eu te amo" e te abraço com carinho, mas também tem que me amar quando "chuto o balde", perco o controle, te mandando sumir da minha vida e coloco tudo a perder.
Aprendi, ao longo desses anos, com amores passageiros, que só vale apena se doar para amores que não tentam me mudar e não cobram perfeição onde nunca existiu.
Repito, amar alguém na balada de sábado a noite é muito fácil, quero ver amar alguém a vida inteira com todos os defeitos existentes em um ser humano.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

QUANDO O AMOR VACILA

Por Carlos Belo
Foto: Carlos Belo
 
O amor também vacila. Muitas vezes caímos nos braços do erro, da ilusão, da aventura. Mesmo sendo amor, mesmo sendo amados e amando. Cabe a nós a capacidade de permanecer. Acredito que esse ato corajoso é o maior sinal de rebeldia conta o sistema de relacionamentos descartáveis que se propaga por aí. PERMANECER, assim mesmo! Gritando, mesmo quando a suavidade da brisa for substituída pela rebeldia dos ventos, mesmo quando as águas estiverem mais agitadas. O amor também vacila. E precisamos, se há, de fato, amor, preparar nosso coração para a permanência. Amar a si mesmo, de início. Perdoar a si mesmo quando o dano maior for ao nosso próprio peito. E na maioria das vezes as desventuras do amor atingem intensamente a nós mesmos mais do que aos outros. As lutas que cada um vive, os obstáculos que todos nós temos, as fraquezas que sempre escondemos do mundo mas que todas as noites nos fazem companhia. Por tudo isso, o vacilo do amor merece ser perdoado. Precisamos, não porque sejamos bonzinhos, oportunizar o amor. O amor anda em ameaça constante de extinção pela falta de disposição nossa ao outro e a nós mesmos. Errar parece-nos um ato insustentável,  ninguém quer se ferir. E todos procuram correr para outros amores. Esse é o motivo maior do perdão, não permitir que erros alheios se tornem fonte de erros para nós, não permitir que possíveis falhas nossas se tornem senhoras de nossa alma. Somos feitos de liberdade. Respiremos. Abracemos a vida e permitamos o erro, a falha mas sobretudo o recomeço.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A ÚLTIMA CARTA

Por: JESSY ALMEIDA




Um dos momentos mais difíceis na vida de uma pessoa é quando chega-se a hora de dizer adeus a alguém que se ama. Dizer adeus a todos os momentos vividos, a todos os planos, aos sonhos e ao sentimento que de alguma forma ainda se mantém vivo. Por fim em algo que já não brilha tanto e que tão pouco traz alegria como antes.
Por mais que isso doa em mim agora, finalmente entendi que não se pode viver uma vida inteira a espera de um passado que não volta. O que temos para viver é o hoje mesmo que triste e com algumas dificuldades, viver o hoje com esperança de um amanhã melhor e lembrando com carinho do ontem, mas tendo certeza que nada volta e que não podemos mudar o passado.
Vou sentir sua falta confesso, porém, compreendi que se continuasse do seu lado só iria me ferir e te ferir ainda mais. Resolvi partir antes que destruísse todas as lembranças lindas que ainda temos, se é que não já destruí.
Quero que saiba que eu te amei, cada segundo que passei do teu lado eu te amei e é por te amar que te deixo livre de mim como todos os meus defeitos e loucuras.
Por fim levo apenas uma certeza: Somos mais felizes quando aceitamos os pontos finais do que quando ficamos procurando razões para adia-los.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

APEDREJAI A TI MESMO

Por Carlos Belo
 
Um livro forte, que nos faz parar para observar a vida da personagem/narradora mas também parar para observarmos a nossa vida. Pontos importantes são postos a nossa frente: quem somos, nossos sonhos mais antigos, planos que se desviaram, rotas alteradas, sorte ou a falta dela. Paulo Coelho sempre me transmite uma energia positiva em seus escritos, uma fé na humanidade, um desejo de mudar, de começar com pequenas práticas diárias de permissões para que as bênçãos do universo recaiam sobre mim.
Foto: Carlos Belo
 
Adultério nos mostra o lado mecânico da sociedade atual, como li em algum lugar: estamos nos transformando em homens-formiga. Marchamos obedientes em fileiras organizadas seguindo um código de conduta pré-estabelecido, já sabemos quais serão as palavras que usaremos, já temos o enredo de nosso destino. Mas onde ficam nossos sentimentos? Nossos instintos humanos e muitas vezes irracionais? Vivemos também em tempos de fachadas sociais. Casamentos eternamente felizes, famílias estruturadas, carreiras brilhantes, fotos lindas no Instagram. Vãs tentativas de esconder quem realmente somos, nós e nossos vazios, nossos silêncios e monstros. A personagem sai em busca de si, e nessa busca encontramos o significado de família, ética, dinheiro, fama, amor e sobretudo, a importância do perdão. Perdoar a si mesmo, se permitir viver sem culpa de sermos quem somos, abraçar a vida que é uma menina a correr sem medo de possíveis quedas. Aceitar também o perdão que o outro nos oferta, mesmo sem nunca precisarmos confessar nossos erros. Perceber que somos amados, que  existem pessoas que nos conhecem sem precisarmos falar onde erramos e que estão dispostas a nos amar mesmo assim.
Erros todos nós cometemos, mas erros são necessários no aprendizado. É com muitas quedas que se faz uma bailarina. Mas a beleza da dança final só é possível para aqueles que ousam ir adiante. A queda é inevitável, mas permanecer caído é opcional. Todos nós somos adúlteros quando traímos a nós mesmos, nossos princípios, nossas escolhas, quando deixamos de lado nossos sonhos, quando deixamos nos corromper pela doença do comodismo ou da vaidade que cega e acorrenta nossa liberdade. Precisamos de pedras, como nas narrativas bíblicas, apedrejar toda e qualquer forma de reducionismo humano, de "coisismo", de acomodação doentia. Apedrejar as aparências e convenções sociais, todos os decretos normativos. Precisamos da livre e deliciosa experiência viva de buscar o que nosso coração deseja.
 
"Amar abundantemente é viver abundantemente. Amar para sempre é viver para sempre. A vida eterna está atrelada ao Amor." (Adultério, p. 173)
 
Livro citado:
 
COELHO, Paulo. Adultério. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

DOCE ILUSÃO

POR: JESSY ALMEIDA


Hoje quando acordei notei que faltava algo em mim. Ao me olhar no espelho notei que as marcas de uma noite mal dormida estavam evidentes no meu rosto, olhos de quem chorou até pegar no sono.
Na minha cabeça existem varias perguntas que talvez continuem sem repostas.
Onde errei? Será que sentes minha falta? Será que ao menos lembra de mim?
Desde o dia que você partiu nós tentamos seguir caminhos diferentes na esperança de encontrar -mos o que nos faltava, uma felicidade ainda desconhecida por ambos,tentamos ser fortes e fizemos um acordo de não nos falar-mos, mesmo que as coisas ficassem difíceis e a saudade nos torturasse em silêncio.
Não sei se você ainda pensa em mim ou se sente minha falta, não sei se pensa em me ligar ou se arrependeu-se de ter partido. Aparentemente está tudo bem com você, a vida seguiu facilmente sem minha companhia.
Quanto a mim?
Bem, eu continuou passando noites em claro, pensando na gente e nos momentos vividos.
E no fundo trago comigo uma doce e cruel ilusão de que um dia você irá querer voltar para mim.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

DESEJOS ÍNTIMOS

POR CARLOS BELO
FOTO: CARLOS BELO
 
 
Eu quero poder tomar meu café amargo. Quero poder ler meus livros que ainda esperam pacientes o tempo ocioso que nunca vou ter. Quero poder tomar um vinho, quebrar garrafas, prisões, quebrar protocolos. Quero pisar na grama, mesmo que isso seja proibido. Tenho necessidade de vida. os protocolos me matam. Minha alma é livre mas ainda não viu de fato a tal liberdade.
Eu quero poder tomar meu café amargo. Quero guardar meus livros, ler quando der na telha. Chamar algum amigo pra ir pro mato ouvir o céu estrelado e ver o sussurro dos ventos. Desejo a desordem das coisas, quero eu mesmo, do meu modo, organizar meu submundo. As coisas já definidas foram escolhas sem consulta, camisas de força jogadas em mim. quero a Loucura! Quero a delícia da bagunça no quarto, Quero dias de organização, desejo sentir o sabor da palavra verdadeira, do verbo bem vivido e conjugado no tempo que eu achar necessário.
Poder tomar meu café, amargo como sempre, mas adoçar se achar necessário, quebrar as xícaras todas, guardar todos os vinhos, beber todos os livros, sentir o cheiro da grama e proibir que se proíba pisar nela. Aliás, o verbo proibir pode ser muito perigoso, sou favorável à criação de um manual de instruções do verbo proibir.  
Quero manhãs de ressaca, literárias ou não. viagens sem pressa, sorrisos largos, cafuné, quero gente de verdade. Gente que me ajude a pesquisar receitas de bolo, roteiros, que me ajude a decifrar sonhos, me ajude a sair do padrão. Para longe de mim os padrões! Quero poder dizer minhas verdades, voltar quantas vezes eu precisar; não voltar nunca, se for o caso. Quero o silêncio, o barulho em seus momentos. Quero poder tomar meu café amargo e poder deixar meu pensamento vadiar nas doces tramas de minh'alma.