quarta-feira, 30 de março de 2016

DESMORONAMENTOS

Por: JESSY ALMEIDA


E tem dias que eu simplesmente desmorono.
Quando as máscaras já não servem para disfarçar quem eu realmente sou.
Quando a gentileza e a amargura se dissolvem e se transformam em exatamente nada.
Quando o amor e o ódio deixam de fazer sentido.
Quando não sei escolher entre acabar com tudo ou recomeçar do zero.
Eu vou apenas desmoronando, caindo aos pedaços lentamente, afundando no poço de mágoas, angústias e frustações,que vem me prendendo a anos.
As lágrimas chegam como uma tempestade, trazendo à tona emoções que ainda não sei lhe dar.
São nesses dias que eu reconheço quem eu realmente sou, quais meus desejos e planos mais secretos.
O que mais me assusta em dias como esses são as dúvidas que insistem em me atormentar onde quer que eu vá.
E na minha cabeça fica a pairar sempre a mesma pergunta: " Desisto para sempre ou sigo tentando e gastando o resto das minhas forças?"
Tem dias que eu simplesmente desmorono, é que não dá para ser forte o tempo todo.

terça-feira, 22 de março de 2016

DESABAFO DE UM CORAÇÃO PARTIDO

Por: Jessy Almeida


Sabe meu bem, perdi a conta de quantas vezes lhe perdoei, quantas vezes você veio com seu jeitinho carinhoso, suas palavras doces e seus falsos pedidos de desculpas que em nenhum momento recusei.
Acho que você não sabe, mas eu me sentia culpada todas as vezes que você partia me deixando para trás, me sentia culpada por erros que nem se quer eram meus. E a cada volta tua no meu peito pulsava a esperança de que dessa vez você fosse ficar, que dessa vez eu ia poder consertar tudo, nem sabia eu que não havia mais conserto.
Hoje eu finalmente compreendo que o amor é um sentimento lindo e puro e que pessoas vazias jamais o carregaram consigo. Quando se ama de verdade não há espaço para mentiras.
Mas sabe de uma coisa meu bem?
Eu não lhe culpo por nada disso, pois sei que o desconhecido nos assusta e o primeiro impulso que temos é fugir. Você fugiu de mim, fugiu do meu amor, pois para você nada daquilo era familiar.
Não pense que eu lhe odeio, o ódio é um sentimento muito pesado para um coração tão leve quanto o meu. Apenas fico triste por você que talvez passe o resto da vida fugindo do desconhecido, sugando sentimentos à procura de algo que nem ao menos sabe o que é.
Hoje eu encontrei a paz que eu tanto procurava, sigo feliz daqui por diante, pois tenho certeza que não importa quantas vezes meu coração seja partido eu sempre serei capaz de amar, amar a todos que me cercam, desde o mais simples dos seres até as pessoas mais próximas de mim.
E tenha certeza de uma coisa meu bem, amar em excesso não é defeito, e sim uma dádiva, dádiva essa que pessoas vazias só poderão supor do que se trata.

domingo, 20 de março de 2016

A CASA É TÃO GRANDE E AINDA CHOVE

Por Carlos Belo
Foto: Carlos Beo


Eu costumo criar espaços.Organizar meus livros, CD's e verdades. As histórias todas, meus escritos, resenhas e diários de bordo, as senhas de meus cartões, os papéis de embrulho, as cartas, poucas e  sentimentais. Costumo arrumar meus filmes preferidos, meus poemas, balangandãs, amuletos, moedas da sorte. As palavras todas que ouvi, palavras que ainda pairam no ar, grandes demais, pesadas demais. As mentiras todas que ouvi, as tardes de espera, os telefonemas e cada SMS recebido. O conforto às vezes me assusta. Vamos acumulando essas coisas todas e a vida vai se transformando em uma casa cada vez maior, criamos novos cômodos, anexos, porões, quartinhos, dispensas. O medo do desapego é muito grande e, talvez por isso guardamos o que não existe mais. Guardamos pesos desnecessários, acúmulos doentios de quem não permaneceu, quem decidiu partir, quem escolheu sair de nossa vida. Guardamos os frascos vazios e vamos desperdiçando o perfume suave e único que acalanta a nossa vida. A casa é grande, mas ainda chove. chove lá fora, lá onde existe vida, ar, renascimento. E janelas abertas permitem que a chuva me toque, chegue até mim. A chuva aparece como fertilizante no solo seco e empoeirado de minha vida. É preciso se molhar, lavar a alma, sentir o poder da renovação. Eu me permito o desapego, por excesso de bagagens, a chuva me ensina a evitar os fardos desnecessários, os mortos que carrego em vão. Ainda chove, ainda existe a  novidade, possibilidades, mudança de cores, amores, mudança de casa, talvez. Estou de mudança, não por achar a casa pequena, mas o mundo lá fora tem mais cor, não quero a segurança de arquivos mortos, quero a dança sutil da água caindo em mim, dançar na chuva  viver sem muita bagagem, levar só o que necessito para nunca esquecer quem eu sou e para onde nunca devo voltar.

terça-feira, 15 de março de 2016

DOCE ROTINA

Por: JESSY ALMEIDA


Eu acendo um cigarro e observo enquanto a fumaça some no ar.
Eu coloco mais uma taça de vinho e o degusto lentamente para que o momento se prolongue por mais alguns instantes.
Eu leio um livro, eu ouço aquelas músicas.
Doce rotina criada para afastar a solidão, para preencher o vazio deixado por você.
Eu ando pelas as ruas dessa cidade tediosa a procura de alguma diversão, de algo que acalme o meu coração tão cansado.
Procuro seu rosto em outras pessoas, alguém que tenha seu sorriso, brinco de ser feliz e sorrir.
Talvez um dia eu me habitue com a sua ausência e com a vida morna que venho vivendo.
Não diria que estou feliz, há em mim uma amargura quase impossível de ser escondida, mas pelo menos essa dor já não me é tão cruel como era antes.