sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

FIM DE CAPÍTULO




A vida se faz é caminhando, aprendendo, sorrindo, com o coração aberto ao novo e a vontade de tentar uma vez mais. Haverá sempre um dia difícil, pessoas difíceis, problemas demasiadamente complicados. Viver exige flexibilidade. Viver é movimento. Pessoas que chegam e outras que saem de nossa vida. Ideias que surgem, planos que fracassam. No inesperado é que a vida se faz, na bagunça de nossas memórias, nos afetos e perfumes que guardamos. Cada final de ano é isso, esse desejo de novos rumos, essa vontade que a sorte mude, que o amor chegue, que haja prosperidade, que venha a mudança. Gosto da cronologia por nos permitir essas pausas no correr da vida. E no trânsito de um ano para outro, nos dispomos a tentar novos caminhos, a fazer diferente, a sermos melhores. Precisamos sim vez ou outra fazer um pequeno momento de análise da pessoa que somos. Mas precisamos trabalhar para que os desejos de mudança se tornem ferramentas de uma vida. Tudo aqui é tão breve! E nos apegamos tanto a inutilidades. Perdemos tempo e energia com pessoas desnecessárias, alimentamos rancores, deixamos os sentimentos escondidos com medo de possíveis decepções, fingimos afetos, nos aproximamos de pessoas virtuais e esquecemos os que estão conosco todos os dias. Criamos para nós protótipos de alguém que gostaríamos que fossemos, enganamos a nós mesmos e assim a vida se passa. Desejo sabedoria para o novo ano, que não nos falte a sensibilidade para amar, compreender, perdoar, cuidar. Que possamos experimentar sempre mais a beleza das coisas simples e por vezes esquecidas. Até breve! 

CARLOS BELO

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

CUIDADOS

POR CARLOS BELO
"Doze Girassóis numa jarra" Van Gogh


Tenho aprendido a valorizar pessoas. Acredito que um dos maiores desafios da modernidade contemporânea é esse- manter as pessoas por perto, fazer um amigo se sentir seguro. Cuidar das pessoas com amor, não tratar as pessoas como objetos. Ninguém estará disponível para nós o tempo todo se não cuidamos, se não pedimos perdão, se não cedemos um pouco às vezes. Também não podemos esquecer de que nossa vida é efêmera, não posso perder meus dias alimentando ódios ou desamores. É sabedoria deixar ir quem precisa ir. Dizer o quanto cada um que tem um pedaço de nosso coração é importante para nós. Ter laços, afetos, ter quem abraçar. Quantos amigos e amores a gente não perde por egoísmo? Somos ensinados a mentir o tempo todo, fingir que estamos bem. Teoricamente ninguém está disposto a ouvir nossos lamentos. Mas existem, sim, pessoas disponíveis. Passei por muita coisa na vida, ainda vou passar outras tantas, eu sei. Mas não houve amor em vão, todo bem que ofereço ao outro, por menor que seja, é também a mim ofertado. Cultivo meu jardim. Tem dias que  sinto o vento favorável e me lanço ao mar, outrora preciso de abrigos, silêncios, compreensão. Mas tenho aprendido a ter mais cuidado com as pessoas, ter mais cuidado comigo. Pois quando chegar o grande e definitivo hiato precisamos ter vivido. Então precisamos Viver!

terça-feira, 29 de novembro de 2016

INQUISIÇÃO PARTICULAR

POR CARLOS BELO
Foto: Carlos Belo


Quero o fogo. Doce, forte, inconstante fogo, que venha  transformar tudo que precisa de novidades em mim. Ando carecido de mudanças. Primeiro mandarei ao tribunal de minha Santa Inquisição todas as prateleiras de sonhos engavetados, sim queimarei todos. Cansei de guardar projetos inacabados, desejos que já não fazem parte de meus planos. Quero rotas inexploradas, novos destinos, quero espaço na minha estante. ESPAÇO!
Deitarei ao fogo cada carta escrita para tanta gente, mas que na verdade destinavam-se a mim, disse tudo que precisava, fiz letras caprichadas, dentro do possível, dobrei, pus em algum livro e deixei ali.  Ofereço ao fogo ,amigo que tudo compreende, todas essas palavras que um dia não suportei em mim.
As viagens falhas e os vinhos não bebidos, os beijos que esperei, as ausências tuas, minhas, nossas fugas e prisões. Juntarei olhares, perfumes, cada prece por voltas ou idas, juntarei teus medos, meus medos, nossas aflições desnecessárias. Tudo ao fogo!
Mas não pense que me rebelei, que agora virei algum louco desesperado, ou melhor, foi isso mesmo que fiz, é assim que me sinto agora. Acho que a loucura tem esse poder libertador, que assusta e eleva a nossa alma. Estou Louco, mas não sou louco. Logo passará. É que o fogo tem esse poder de apurar as coisas, de fazê-las novas, melhores, mais bonitas. Só queria te falar isso. Quero o poder divino de sempre reinventar a força para continuar tentando ser.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

POEMINHA DA SEPARAÇÃO

Por: JESSY ALMEIDA


Queria te pedir perdão
Por todas as vezes que errei contigo
Hoje mais que nunca eu vejo
Que você foi o meu abrigo.

Sei que agora é tarde
E o amor que sentia se desfez
E o que antes era certeza
Hoje não chega a ser nem talvez.


Não há nada que eu possa falar
Que desfaça os erros do passado
Mais mesmo que não acredite
Sempre quis tu do meu lado.


Sei que a distância dói
Mas seguirei o  meu caminho
Deixo tu livre pra partir
E ir pousar em outro ninho.

sábado, 12 de novembro de 2016

A ARTE DE SER AMOR

POR CARLOS BELO


Foto: Carlos Belo

Comecei esperando muito de muita gente. Criei expectativas, construindo castelos, mergulhando em ilusões e fantasias que somente pertenciam a mim. Esse geralmente é um dos erros mais comuns e o maior responsável por tantas lágrimas e angústias. As pessoas tem suas vidas ( que são muito diferentes da nossa), cada um vive em comunhão com suas raízes, essências, cada um de nós tem muito, muito mistério e segredos que ninguém de fato conhece, e só mostramos ao mundo uma faceta de nossos tantos EUS. Daí lidar com o outro é sempre um caminho novo a cada dia, não se iluda acreditando que conhece muitíssimo uma pessoa, obviamente que existem pessoas com as quais criamos uma relação íntima, espiritual, que nos permite adentrar em suas complexidades, são "Divergentes", incomuns, mas no geral a vida social não passa de relações diplomáticas onde estamos sempre fazendo sala para visitantes. Todos procurando esconder seus infinitos, todos se iludindo com a sala de visitas alheia. Talvez essa seja a grande chave explicativa para nossos desamores,  não queremos mostrar fragilidade para ninguém, carecemos de grandeza, sucesso, reconhecimento, andamos de egos inflados esperando muito de todos e nada fazendo por nós mesmos. Sigmund Freud já nos alerta: "Olhe para dentro, para as suas profundezas, aprenda primeiro a se conhecer." Quando me deparei com essa máxima, entrei em uma pequena epifania. Como compreender o outro se não me compreendo? As expectativas que criamos, o choque com a realidade, tudo isso nos desmonta porque estamos desestruturados por dentro, falta amor, aquele amor para dentro que já falei outras vezes. Precisamos aprender a valorizar o frágil, delicado, sutil e fulgaz que existe em nós e no outro. É tudo muito simples, e por ser simples nos cega. Saber amor é mais importante que saber amar. Compreendendo o que é o amor, seu caminho certamente o levará ao encontro de alguém muito especial: você mesmo. Depois disso aprenderá a amar o outro de verdade, não por carência de coisas que só nós mesmos podemos nos proporcionar. Eu estou tentando. E você?

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

QUEM ESTARÁ CUIDANDO DE MIM?

Por: JESSY ALMEIDA


Eu que já passei noites sem dormir preocupada com o rumo que ia tomar na vida
Eu que já sai de casa na chuva, reclamando do frio e da lama na roupa
Eu que muitas vezes sou tão egoísta a ponto de esquecer a dor do outro e pensar apenas em mim
Eu que trago cicatrizes deixadas pela a vida
Eu que tento amar a vida em todas as formas que ela possui
Hoje me flagrei pensando: "em quem estaria cuidando de mim?"
Muitas pessoas tem uma resposta pronta para essa pergunta.
Já eu, não sei se é homem, se é mulher, se é criança, ou até mesmo um outro ser vivente.
Está no ar que respiro, no sol que ilumina o dia, na água, na terra, em tudo que me cerca.
No meio desse mundo enorme, com milhões de pessoas, eu que sou tão pequenininha, quase insignificante, me sinto tão gigante quando me dou conta dessa proteção.
Seja você quem for, seja qual for o nome que possuís, sou grata.
Não preciso temer, so amar, amar a vida, amar a tudo, pois sei que assim estarei retribuindo-lhe todo amor que me dás.
Hoje quando acordei percebi que tem alguém cuidando de mim e agora meu coração está em paz.

sábado, 15 de outubro de 2016

Notas Sobre Uma Amiga

Por: JESSY ALMEIDA


Conheço uma moça que parece poesia, daquelas bem complexas, que quase ninguém entende.
Não sei dizer como ela é ao certo, se é inverno, verão, outono ou primavera, se já é flor ou ainda não desabrochou, se é grão de areia ou mar.
O que sei é que ela por onde passa vai devastando tudo, como um tsunami, um tsunami de dúvidas que ninguém é capaz de explicar.
Ela quase sempre acorda com uma vontade enorme de desistir, mas quando vai dormir se enche de vontade de tentar, as vezes esta chorando e se desata a rir, todas as perguntas que a fazem ela não sabe responder, as vezes sabe, mas nem ela sabe disso.
Sua mente vive um momento perturbado, com todas as questões existenciais mais comuns ao ser humano.
É que ela queria que aqueles sonhos fossem reais, que a faculdade na realidade fosse uma viagem divertida e que acordar cedo fosse uma opção e não uma obrigação diária.
É que ela queria ter a coragem de largar tudo, viajar o mundo e ser feliz.
E ao mesmo tempo ela não queria nada disso, só queria um tempinho, para ficar sozinha sem ouvir a ladainha dessa gente chata e sem amor.
É que mesmo ela tendo dúvidas ela também tem certezas e sabe que vale a pena aguentar um pouco mais nesse mundo tão grande e cheio de vida a ser vivida.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

RESUMOS DE AFETOS E LIKES


POR CARLOS BELO


Para que a liberdade do encontro aconteça, desapego e paciência são fundamentais, todo processo de liberdade exige riscos e abismos. Ser livre é ser disposto a viver. Por isso comece sempre deixando para trás, coisas, lugares, pessoas. É, pessoas também precisam ser deixadas. Quantos já foram embora de nossas vidas e mesmo assim ainda conservamos seus lugares na mesa de nosso coração? Quantos sofrimentos, angústias, likes. Quantas mentiras virtuais jogadas em nossas carências... Meu Deus! A situação emocional de nossa geração não anda nada bem. Amar é diferente. Não que a vida virtual seja um demônio de sete cabeças que precisa ser destruído, mas se não soubermos dosar o uso das redes, seremos condenados à alienação e aos dessabores de quem vive sem ninguém. Precisamos de livros, de música, cheiros, toque, pele. Precisamos de momentos de silêncio com as pessoas que amamos. o amor precisa ser cuidado, longe de postagens açucaradas e escancaradamente frágeis. Aliás, muitos amores eternos tem durando menos do que uma foto no Snapchat. Amar é brisa leve em nossa alma, mas também é sacrífico e hoje em dia pouca gente se preocupa com o outro. estamos sempre voltados para o centro do nosso mundinho.  É no cuidado com o semelhante que podemos encontar braços dispostos a se juntarem aos nossos e dentro desse encontro sintonizarmos os corações. Peça perdão quando necessário, exponha seu afeto na presença física do outro, acredite, estamos todos carecidos de calor humano. Desligue o celular, sempre tem alguém querendo saber como realmente foi seu dia. Ligue e o celular e telefone! use SMS ,surpreenda  as pessoas com coisas mais intimistas, coisas que aproximem. Cuide bem de quem você quer bem. O tempo de amar não precisa de likes nem de olhares cuiriosos de gente que não tá nem aí pra sua felicidade.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

CARPE DIEM

Por Carlos Belo
FOTO: CARLOS BELO

A vida não deve ser desperdiçada, é preciso colher a delicadeza, sentir o pulsar dos dias, permitir-se sorrir mais, se emocionar mais, sair da mesmice, ultrapassar os limites. Não queira viver cumprindo agendas, viver extrapola qualquer prévio planejamento, a vida acontece é no acaso, no tempinho livre, nas horas de descuido. Não que devamos largar tudo e sair por aí cantarolando, mas precisamos caminhar cientes de que a vida não está resumida em dinheiro, trabalho, contas, planilhas e ritos. A vida nos espera no dia que resolvemos encontrar um amigo, no dia que juntamos as coisas para uma viagem, no tempo gasto com leituras, na música que nos faz transcender no tempo. Vivemos quando abraçamos alguém querido, quando oferecemos o perdão, quando partilhamos um sorriso, ou quando ofertamos um ombro a quem precise chorar, um colo a quem precise de descanso. Viver exige a leveza daqueles que sabem que tudo é transitório: os dias de sol sempre terminam, assim como a chuva sempre passa. Mas há flores nos caminhos, observe mais o mundo, somos parte de um gigante e delicado equilíbrio. viver é dançar ao vento, espalhar amor, aproveitar o tempo. Colecionar memórias, deixar marcas. É um risco muito alto. Mas só quem se atreve a experimentar a loucura pode, de fato, viver.

sábado, 17 de setembro de 2016

21

Por: JESSY ALMEIDA


Mais um ciclo completou-se. Mais um ano que passou.
Não passou para algumas pessoas, porém passou para mim.
Já não sou mais a mesma que era a 10 anos atrás que esperava ansiosa para apagar as velinhas, comer o bolo e brincar com a boneca que tanto esperei ganhar.
Já não sento no chão para brincar com terra depois de uma chuva, já não me resta tempo para assistir meu desenho favorito, não posso mais fugir para a cama dos meus pais, no meio da noite, chorando por conta de um pesadelo.
Não sei ao certo, mas em algum momento toda aquela fragilidade se perdeu. Hoje sou uma garota dividida entre os dramas adolescentes e as responsabilidades que me aguardam na vida adulta. É cresci. Mudei.
Isso faz parte da vida.
No fundo eu sei que crescer é necessário e que esse sabor de saudade é só uma forma de mostrar que a vida é feita de momentos e que cada dia deve ser vivido com a importância que lhe cabe.
A vida é fugaz...

terça-feira, 13 de setembro de 2016

PARA SER FELIZ

POR CARLOS BELO


É camarada, chega um momento na vida em que aprendemos a usar o velho e bom, rápido e eficiente NÃO. Isso mesmo! Dizer "não" é fundamental para que haja equilíbrio no processo de construção de relacionamentos. E muitas vezes precisamos negar a nós mesmos alguns malefícios que outrora faríamos de coração tranquilo: o refrigerante, a música ruim, o abraço formal e frio, o afago de moralistas estúpidos que jamais nos tratarão com verdade. Precisamos dar um basta nas pessoas que na verdade sempre foram inimigos íntimos, pesos de estimação, sombras da noite, atrapalhando nosso caminhar. Muitas vezes nos pegamos dependentes de certos hábitos, coisas e pessoas que simplesmente não contribuem em nada com nosso crescimento. Muita gente morre e não consegue se livrar de malas desnecessárias, vivem carregando essas quinquilharias todas que encontram na estrada. Deixar ir, eis o segredo da vida, liberta-te de tudo que impede tua alegria, que te distancia de teus princípios e sonhos. Aceita a ti mesmo e o mundo te aceitará. Ame-se e sorria. O tempo que tens é curto e não espera por ninguém. Apressa-te!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

SEGUNDAS E RECOMEÇOS



POR CARLOS BELO


FOTO: CARLOS BELO




Recomeçar é necessário, mesmo quando as coisas não são tão simples, mesmo quando nossa vontade é parar no tempo. Mas não podemos nos permitir esse luxo ainda. O tempo é precioso, e cada dia que a nós e dado deve ser motivo de seguir, caminhar, fazer travessias.
Finais de semana que acabam, festas que chegam ao fim, pessoas que precisamos deixar, pessoas que nos deixam. Mudam-se os planos, as oportunidades muitas vezes passam, e nós precisamos do gingado de um bailarino para não perder o ritmo da dança que é viver. E precisamos viver com alegria, dançar com fé, caminhar plantando harmonia entre tantos que vivem em busca da paz mas
que não sabem ainda como encontrá-la.
Recomeçar. Semanas, planos, histórias; plantar e cultivar amor. A vida é isso, feita pra gente    que  se arrisca, que não teme as possíveis quedas dos que aprendem novos passos neste baile de ritmos infinitos. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

365 Dias

Por: JESSY ALMEIDA


Um ano, milhares de acontecimentos.
Quem nunca se deparou analisando as mudanças que aconteceram na vida com o decorrer do tempo?
365 dias são o bastante para fazer qualquer pessoa mudar, perder a fé ou até mesmo encontrar o rumo que estava faltando na vida.
Em 365 dias tive meu coração partido incontáveis vezes. Dei risadas sinceras, mas também segurei o choro mais do que deveria. Quebrei regras, saí da linha, fiquei bêbada, dancei. Fiz novos amigos e também perdi alguns. Perdi a esperança na humanidade algumas vezes e fui dormir chorando com medo do futuro. Conheci pessoas de alma linda e coração bom, pessoas que valem a pena serem lembradas, mas também conheci pessoas que é melhor deixar para lá.
365 dias, um ano, várias histórias.
Pessoas partindo, várias outras chegando, vários aniversários de mais um ano de vida e outros de mais um ano de morte.
365 dias fui feliz, fui triste,amei, vivi e quis morrer algumas vezes, lutei, desisti.
Um ano não resume toda nossa vida, não é possível viver tudo que temos para viver, mas vivemos coisas que valem a pena serem lembradas.
Aprendi coisas, mudei, evoluiu, posso dizer que estou grata por esses 365 dias.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

CARTA PRA VIDA PASSAR SORRINDO

POR CARLOS BELO


Somos pequenos fragmentos de um tempo que corre. O tempo. Esse precioso e fantástico tempo que a nós é dado, e no qual nossa vida se faz. Habitamos no tempo, somos tomados por ele, é nele que dores, amores, entradas e despedidas dolorosas ou não acontecem. Haverá um Tempo para cada coisa debaixo do sol, diz o texto sagrado. Tempo de chegadas e despedidas, diz a canção. Tudo é parte de um único trem, que segue, segue e nos proporciona o viver.
O sabor da fruta mordida, o sol que nos orienta, a flor de esperar dias melhores, mas também de fazer nossos dias melhores, tomar parte, assumir riscos, desconstruir e recomeçar todas e quantas vezes precisarmos. "Escreva uma carta ao remetente", fala outra canção. Um convite ao interior de nosso ser. Loucura essa minha de procurar caminhos pra dentro, mas creio nesse processo, acho que as demoras do lado de dentro permitem demoras do lado de fora. E assim vamos, nessa jornada introspecta e louca, própria de quem pretende ser amigo do tempo e aos poucos saborear a delícia de estar vivo.
Muita gente passa por nós, poucos tem acesso aos nossos pequenos riscos íntimos, muita gente olha a capa, pouca gente se atreve ao encontro, ao abraço, ao ficar. Nós somos fragmentos do eterno, acredito nisso, me apodero dessa eternidade no meu cotidiano muitas vezes monótono, muitas vezes comum. Me apodero do eterno quando paro para ouvir Bethânia cantar Motriz, quando resolvo sair para tomar alguma Beats, me apodero do eterno quando ofereço o perdão ao outro e a mim, quando me disponho a mudar, quando assumo meus erros, quando fotografo uma flor ou um passarinho. O eterno passa por mim quando abraço algum amigo demoradamente, quando leio Clarice, quando sozinho me ponho a rezar. Eu risco minhas agendas com letras miúdas e desconexas, da janela do ônibus a vida passa, e eu também, mas sei que não passo por passar, passo devagar, passo feito passarinho, leve e com desejos de um dia ser ninho ou do ninho voar.

COM AFETO, AOS AMIGOS E LEITORES DO ARTESCREVI, NESTA DATA LINDA DE NOSSO PRIMEIRO ANO.

GARANHUNS, 22 DE AGOSTO DE 2016

P.S.: PARA JESSY, COM CARINHO, OBRIGADO POR ACREDITAR NA GENTE.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

CUIDE-SE BEM, MEU BEM

POR CARLOS BELO

FOTO: CARLOS BELO

Tome cuidado com as sementes que anda plantando em sua alma. A vida é curta demais para plantarmos espinhos, desamores e tristezas doentias. Cultive afeto, primeiro por você mesmo, e depois ofereça flores ao mundo. Muita gente anda de cara amarrada, muita gente mergulha em seus vales sombrios e não compreende que tudo nesta vida é efêmero: situações, coisas, pessoas, dias. Estamos em movimento, progressão. Nada é estático, nem as situações boas nem as ruins. As pessoas amadas partirão, as que nos prejudicam também, e depois chegará a nossa vez de partir. Por isso tome cuidado, plante afetos, tranquilize seus passos, aceite que todos somos falhos e ao mesmo tempo perfeitos, somos pares, mas ímpares, luz e sombras, frio e calor. Na dosagem certa das coisas saberemos aproveitar os dias que a nós são concedidos, sem rancores desnecessários, sem o veneno do mundo, respeitando a diversidade que carregamos em nossa essência, caminhemos leves sob o céu que nos ampara.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

PERMITA-SE

Por: JESSY ALMEIDA


Permita-se amar
Permita-se sonhar
Permita-se relaxar
Permita-se sair
Permita-se voltar
Permita-se brincar tanto em dias de chuva quanto em dias de sol
Permita-se errar
Permita-se correr riscos
Permita-se ser quem você é
Permita-se conhecer gente nova e tomar sorvete com os velhos conhecidos
Permita-se ser simples
Permita a se mesmo um tempo longe de toda gente amarga que vive a sua volta
Permita-se viver, pois nesta vida só podemos ser aquilo que nos permitimos ser.

domingo, 24 de julho de 2016

A GERAÇÃO QUE NÃO SUPORTA MIMIMI

POR CARLOS BELO


                    Vivemos em uma época loucamente ocupada por nossos egoísmos. Não temos mais espaço para o outro. Não temos tempo para ouvir, para olhar, ajudar.               
Homens mecânicos que acordam com despertador de celular, postam fotos nas redes, brigam por curtidas, iludem a todos e não são felizes. Não são felizes porque quem vive iludindo termina frustrado pois é impossível esconder de si mesmo os desertos em que se vive. Por isso não suportamos os que chegam com muito mimimi. O mimimi do outro nos lembra as nossas fraquezas, nos humaniza, cutuca nossas feridas da alma. Por isso corremos, por isso agimos com hipocrisia julgando a possível queda-fraqueza do outro. Mas o mimimi do outro é nosso também, e é isso que mais nos dói. Sem o mimimi do mundo não haveria a poesia que punge feroz, nem a música que acalenta nossos amores perdidos. O mimimi nos resgata do mecânico e por isso preferimos o retrocesso, preferimos fingir que somos perfeitos, ou que perfeitos não choram, nem se entristecem às vezes...

segunda-feira, 18 de julho de 2016

BAGUNÇA INTERIOR

Por: JESSY ALMEIDA


A bagunça é tão grande aqui dentro que nem sei por onde começar. Talvez eu deva trocar de lugar alguns sentimentos. Ou será que seria melhor começar arrumando as coisas aqui fora?
Se bem que a bagunça do meu quarto não está incomodando tanto.
O que incomoda mesmo é o caos que eu tenho por dentro.
Vejam só que andei procurando o amor dentro de mim, mas não sei mais onde encontra-lo, algumas vezes penso ter o deixado nos meus pensamentos outras vezes acredito que está no coração.
O medo? O meu insiste em revirar meu estômago e algumas vezes roubar meu sono. A tristeza, essa é a pior de todas, fica alternando de lugar, quando ela chega atingi todos meus sentidos, cada centímetro do meu corpo e depois vai embora como se nunca tivesse estado ali. O mesmo digo da alegria, que também vai e volta sem aviso prévio.
Tem dias que me sinto beirando a loucura tentando arrumar tanta confusão.
Talvez eu seja isso, uma imensidão de sentimentos, tão confusos, misturados de tal forma que não sei ao certo onde encontra-los e como fazer para arruma-los.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

CARTA AO REMETENTE

POR CARLOS BELO





Tire um dia no ano para escrever uma carta para você mesmo. Não pense que isso é loucura, talvez até seja, mas há loucuras válidas! Deixe o pensamento livre de qualquer padrão, solte-se, permita-se uma conversa franca consigo mesmo, se possível uma xícara  de chá ou café para acompanhar. Prepare-se para um encontro, organize suas gavetas emotivas e perfume seu coração com a luz do amor consciente e capaz de reestruturar sua vida.
Quais os sonhos que foram abandonados e quais os motivos para isso? Sonhos são metas, e exigem compromisso, onde você andou guardando seus desejos? Mas não se culpe tanto! Ainda há tempo! Escreva um possível caminho de volta.... Planeje!
Quais as pessoas que se foram? Qual o tamanho da falta que deixaram? Há possibilidade de reaproximação? Vale a pena? Talvez seguir adiante seja sinal de amadurecimento, seja uma ave migratória se achar necessário. Não se amarre a pessoas. Não se amarre!
Quais as músicas que te fazem bem? Qual seu atual perfume? Qual sua cor preferida? Pense nas suas roupas, qual a cor mais ausente? Talvez você precise de novos tons, Deixe-se envolver por ritmos nunca imaginados. Aventure-se.
Quantos livros lidos até o momento? Quantos pedidos de perdão? Quantos pedidos de perdão a si mesmo? Quantos abraços? E qual foi a última vez que ligou no meio da tarde para um amigo só para desejar-lhe bom expediente? Quantas vezes parou para comtemplar o céu e noites estreladas? Quem vive como máquina morre sem ter vivido! Não queira ser só mais um número, lute por sua autenticidade, afinal somos únicos, múltiplos, incomuns, nada de padrões, não somos pré-moldados, somos a argila viva que o universo sopra a vida pura, livre, diversa. guarde seus escritos, se não quiser destrua-os.

sábado, 9 de julho de 2016

TEMPORAL

POR CARLOS BELO
FOTO CARLOS BELO


Quando precisares recomeçar
E tudo parecer confuso
Água

Tu entrarás no teu íntimo e
Compreenderás.
Adentra em tuas nascentes
Água

Percorre teus rios,
Derrama teus prantos,
Enche teus potes
Água

Saciada tua sede
Refeita tua matéria
Água

Verás que tudo é passagem
Tudo é rito, sacramental
Deus e Deuses em ti a bailar
Água


sexta-feira, 1 de julho de 2016

CONECTIVIDADES

POR CARLOS BELO
IMAGEM ENCONTRADA NA INTERNET

E nesse tempo frio, convidativo, pronto para nossos cafés, cobertas, fones de ouvido e leituras a vida parece ficar mais densa, somos tomados de percepções que o calor do verão talvez não nos permita. Acredito no inverno como tempo de renascimento, reorganização, semeia, cultivo, interioridade. Assim como a mãe natureza se regenera e enverdece o mundo, inunda o solo, fertiliza. Somos convidados ao processo magistral de apoderamento de nossas essências. Criamos o hábito de negarmos a nós mesmos coisas que nosso espírito necessita: nossos silêncios, ponderações, introspecções. Conhecer a si mesmo é uma missão que precisa desse silêncio, desse esvaziamento que nos preenche e resignifica nossa existência. Estamos em tempos de conectividade virtual, mas a conexão real, corpo-a-corpo, braços, olhares, conversas, corações que se dispõem ao outro andam em falta, estamos off-line para a vida real. Mas é possível fazer diferente, é possível amar em tempos de desamores, digo mais: é necessário amar! Entremos na casa-coração do outro, deixemos quem entrem em nossos corações, façamos morada por aí em galhos de árvores alheias e que possamos amar pela essência cada ser a nós apresentado pelo universo. Que o inverno nos ajude amar de dentro para fora. de nosso olhar para o mundo.

terça-feira, 28 de junho de 2016

NÃO GUARDEI RANCOR

Por: JESSY ALMEIDA


Não guardei rancor...
Guardei o gosto do beijo
Teu cheiro impregnado na minha roupa
A sensação da tua pele tocando a minha.
Não guardei rancor...
Preferi guardar o som da sua risada ao ouvir minhas piadas
O seu sorriso sem pretensão de seduzir
Que se fazia bonito só pelo fato de sorrir.
Não guardei rancor...
Fiquei com uma foto sua para não esquecer seu olhar
Sua expressão, seus traços, isso sim quero guardar.
Gosto muito de lembrar
E a todos que me perguntam sempre dou a mesma resposta:
Não guardei rancor.
Espero que guarde o melhor de mim também
Eu vim aqui só te lembrar
Só guardei o que me fez bem
Quanto o resto?
Deixa para lá.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

SAUDADES DA INFÂNCIA

Por: JESSY ALMEIDA


As vezes sinto uma vontade imensa de voltar a ser aquela garotinha inocente de quinze anos atrás, com sorriso sincero e alma transparente, sem as dores e marcas que trago comigo mesmo tendo vivido tão pouco tempo dessa jornada.
Queria voltar aquela época em que as palavras que hoje me feriam amanhã já não eram lembradas. Quando chorava, era apenas por causa de um joelho ralado, por um brinquedo quebrado ou por levar umas palmadas da minha mãe por desobedece -la.
O tempo passou, a vida mudou e a garotinha inocente cresceu e deixou para trás um passado cheio de doces memórias.
Não é que eu esteja infeliz com a pessoa que me tornei, apenas acredito que a vida costumava ser mais leve, sempre com aquele gostinho de felicidade, pelo menos eu costumava sentir mais prazer em está viva.

terça-feira, 21 de junho de 2016

NÃO SE CONTAMINE

POR CARLOS BELO


Em tempos de guerra pouca gente cultiva jardins. Vivemos em uma época onde as flores estão mais nos feeds, posts, fotos e tal e cada vez menos nas mãos que oferecem delicadeza aos que necessitam. A delicadeza, de fato, tem sumido de nossas rotinas. o bem comum, o cuidado para com o próximo, o amor anda em crise. Precisamos atentar para a despoesia da vida moderna. Há ainda muitas pétalas precisando de vento. Espalhe o perfume do bem no mundo, mas não espere nada em troca. Esse é um dos males da nossa época; tudo precisa ser compensado com moedas de igual valor. No fim ninguém faz mais nada por ninguém e vivemos alimentando nossos próprios egos. Mas você não precisa seguir a massa, faça diferente. Ofereça perfumes de atenção, valorize as palavras e seu poder tranformador, convide um amigo para viajar, passe um dia sem telefone celular, escreva cartas. Em um mundo que vive em guerra, seja o cultivador da esperança, o jardineiro, o malabarista. Oferte seu sorriso ao mundo, não se contamine, no fim perceberá que não há tempo, há vida.

sábado, 11 de junho de 2016

TUDO SOBRE VOCÊ

POR CARLOS BELO
Foto: Carlos Belo


O processo de amadurecimento do amor é lento, doloroso e misteriosamente gostoso. Sempre encontraremos pessoas pelas quais mudaremos nossas rotas e planos, pessoas que nos farão mudar de ideia, criar novos hábitos, pessoas que modificam nosso cotidiano e nos permitem amar para dentro. É isso, amar para dentro é fundamental para que nosso amor não nos escravize, nem permita que a gente se perca. Mas, tenha cuidado para que seu amor próprio nunca se transforme em egoísmo, desculpa para fugir, que o amar para dentro nos ajude a amar melhor para fora. Vez ou outra sempre teremos as dores e amargas separações, fins e despedidas, processos da caminhada. Mas não queira, não deseje viver sem laços. Viver é depender do outro. Viver é instabilidade plena, é caminhar todos os dias na corda bamba dançando frevo. Não pense que isso é impossível. Abrace a vida, ame quando o amor surgir, ame-se, respeite-se. O amor é a vida nos dizendo que dançar é preciso. O amor é o universo nos mostrando que dependemos dos outros, que sozinhos nada somos. Aprenda a chorar em silêncio e recomeçar a amar sempre que necessário.
(Escrito ao som de Tudo sobre você- Zélia Duncan)

quarta-feira, 1 de junho de 2016

ALGUNS SEGUNDOS PARA O FIM

Por: JESSY ALMEIDA


Em cima daquele prédio tem uma moça.
Neste exato momento ela está sentada na sacada de sua janela.
São alguns metros de distância até chegar ao chão. Poucos segundos entre a vida e a morte.
Tão jovem, tão frágil, tão perdida, incompreendida e só.
Olhando para ela daqui não consigo ver todas as cicatrizes que a vida lhe deixou.
Acredito que a algum tempo atrás ela era feliz, porém acabou morrendo por dentro e agora procura formas de morrer por fora, de matar sua dor.
Se eu tivesse a conhecido antes teria lhe dito que a entendo e que já me senti assim inúmeras vezes, teria lembrado que a dor é cruel, porém passageira.
Agora é um pouco tarde pois em alguns segundos ela não passará de uma lembrança, triste e trágica.
Sinto muito moça na maioria das vezes a vida é um tanto cruel.

sábado, 28 de maio de 2016

UM CAFÉ

POR CARLOS BELO
FOTO: CARLOS BELO


E como que em ciclos, a vida das xícaras um dia se renova. Sim, hoje falaremos de xícaras, esses misteriosos copos alados que nos ajudam a aquecer o coração e o espírito.
Todo mundo tem sua xícara preferida, xícara é diferente de copo, criamos uma intimidade com ela, um relacionamento, uma reciprocidade. Talvez o calor do café, o cheiro, o propósito, tudo nos convida para uma pausa, como Deuses que sussurram em nossos ouvidos a hora certa de parar, nem que por breves minutos para que o sagrado se reorganize em nós.
Nossa relação com a vida pode ser compreendida em um café sem muitas pretensões filosóficas. Nossos corações muitas vezes machucados por um mundo que parece nos engolir em miséria, desumanidade, dor e pressas. Nós que optamos pelas flores, pelo vento suave, pela palavra e seu poder de cura. Nós que escolhemos profetizar o amor e lutar por ele.
Mas vez ou outra nossa xícara, como que por um propósito do destino, se quebra, levando consigo o laço íntimo de tantos cafés, chás, pausas, calor e acolhida. Como pequenos remédios que se foram levando os silêncios que outrora preencheram nossos vazios. Nossa missão recomeça: buscaremos outras xícaras, outras pausas, outros cafés. Um ciclo de poder, um ensinamento breve que nos aponta o efêmero da vida, que, assim como as queridas xícaras, nós também mudaremos as rotas um dia, os que amamos um dia não poderão mais ficar. Mas todo momento que nos fez perceber a grandeza de sermos quem somos tem o poder de se eternizar em nós. Vamos seguir com xicaras, cafés, lembranças e amores. Somos feitos de breves momentos despretensiosos. a vida é.



segunda-feira, 2 de maio de 2016

NOTA SOBRE JESSY

POR CARLOS BELO





ELA ainda se  ENCANTA com o que a tira da rotina. Recebe SMS ( QUE NÃO É DA OPERADORA) de pessoas (VIVAS!) que querem CONVERSAR.







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sexta-feira, 29 de abril de 2016

CONSTATAÇÃO ROMÂNTICA

POR CARLOS BELO
FOTO: CARLOS BELO

È verdade que o amor é o que permite a vida, a permanência, continuidade, resiliência, mudanças e pedidos de perdão. Mas não se constrói uma casa às cegas. Estamos em constante processo de construção, muitas vezes mais interna que externa e o amor deve ser assim, um projeto sublime que tem seus rabiscos iniciais e seu alicerce no interior de cada ser. Depois o amor se estende como tapete florido ao mundo. Braços abertos ao que vem. O amor exige este risco, podem ignorar teu riso frouxo, te chamarão de alienado, lunático, louco, anormal. Contudo o amor, este permanecerá como chama a arder em teu coração e te permitirá ir além. 
O amor que portas em teu sublime vaso, vindo de tantas gerações que te antecederam, cultivado em tempos difíceis, alimento de muitos e desespero de outros, este amor por ser sagrado não deve ser desperdiçado. Toma cuidado, olha com atenção, trata a todos com generosa atenção e carinho. No entanto, teu amor deve ser poupado para os que saberão guardá-lo. Aceita as desculpas alheias, perdoa os de coração amargurado, dança com os que estiverem em festa, espera. Pois o amor será teu mestre se tu aprenderes a tratá-lo como tal.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

DIAGNÓSTICO FINAL


POR CARLOS BELO





Conectados cada vez mais, distantes e esquecidos também, eis o paradoxo de nossa sociedade. O amor já tem nascido morto, sem expectativa de vida, no cinza de nossas cidades, no frio das teclas de um computador ou na tela de nosso celular.
Vivemos em uma época de muito contato virtual, muita conversa, muito "amoronline" e pouco amor real. conhecemos muita gente e não conhecemos ninguém. É fácil conectar, stalkear, ser crush, mudar de interesse, esquecer perfis.
Cada vez mais conexão, aliás, morremos de medo de ficarmos sem internet, sem bateria, deixar de postar.  Precisamos curtir zilhões de fotos de pessoas que nunca vimos, nem temos pretensão de conhecer, precisamos adicionar, seguir pessoas, excluir e deixar de seguir, entrar em grupos, sair deles, escolher emogis de "amei" quando na verdade não temos o mínimo interesse na vida alheia.
A máquina tem assumido o comando de nossa rotina: acordamos com o despertador do celular, vamos trabalhar ouvindo músicas nele, no intervalo é hora do WhatsApp, na hora do almoço tem mais um pouco de internet, dormir só depois de passar horas conversando nas redes, olhando quem curtiu o quê, quem seguiu quem, que foto teve mais likes.
O contato humano tem se tornado distante, as pessoas dizem que te amam mas quando você marca um encontro com elas e corre para um abraço a reação é de estranhamento: estamos esquecendo a utilidade do contato físico, estamos perdendo o costume de beijar nossos pais, de enlaçar um amigo, de deitar no colo, de sentir o calor de alguém. Tenhamos cuidado, o amor necessita de olhos próximos e corações dispostos. Usemos a tecnologia a nosso favor, fiquemos sim conectados, próximos, mas com pé no chão, preparados para a vida real. Que nossos braços estejam sempre prontos para doar calor ou ajuda, que nossa alma esteja sempre livre para contemplar uma flor e sentir a brisa suave que sussurra em nossos ouvidos a canção eterna e silenciosa que embalou nossos ancestrais.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

O QUE SERÁ DE NÓS?

Por: JESSY ALMEIDA

Amanhã provavelmente já teremos superado todas as dores que foram causadas nesses dias tristes, e mesmo que não as superemos teremos que seguir em frente.
Amanhã você não passará de um sonho bom do qual lembrarei com carinho.
Talvez amanhã seja mais fácil de aceitar que os finais são inevitáveis e que não existem culpados para tudo que aconteceu.
O tempo irá passar, lento, demorado, triste, até que chegue um novo amanhã, e talvez traga consigo novas cores para nossas vidas.
Só nos resta ter esperança de que em um belo dia a gente acorde com uma leveza na alma e sem ter que sofrer ao lembrar de cada momento lindo que tivemos no passado.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

FUGINDO DA GAIOLA

Por: JESSY ALMEIDA




E finalmente fez-se livre.
Quando viu que ali dentro já não cabia os seus sonhos, suas asas que cresciam sem parar.
E ao fugir se deparou com um mundo antes desconhecido e viu que não havia nada de errado com a tal da liberdade e a experimentou.
E descobriu que o que antes lhe foi dado não era o bastante, para viver necessitava de mais.
E foi descobrindo-se, amando-se.
Hoje mais do que nunca vive a vida que escolheu e descobriu que uma vez que prova-se da liberdade nunca mais se quer voltar para a gaiola.
De agora em diante seguirá fugindo até o último dia da sua vida.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

TROCO LIKES

POR CARLOS BELO

Foto: Carlos Belo

Inconformados com o mundo clichê. Necessitamos de originalidade. Pluralidade. Assim é ditada a lei do mundo contemporâneo. Vivemos sob a mira ditadora de pessoas cada vez mais virtuais que reais. Estamos cada vez mais obedientes à máquina, estamos perdendo a beleza de sermos humanos e falhos, frágeis, inconstantes, singulares.
A intolerância reflete o medo de vermos na ação do outro a nossa imagem. O outro que ainda ousa quebrar as regras, que ainda não aderiu por completo aos desejos unificadores da massa. O outro que erra, que diz frases já muitas vezes ditas por tantas outras bocas, escritas por outras tantas mãos.
Queremos o novo e a diversidade é a bandeira sagrada da tecnojuventude, tememos o lugar-comum, somos sedentos por gente nova, redes sociais, desapegos e ainda trocamos likes.
Nossa pluralidade, entretanto, tem nos massificado e nos tornado aquilo que desprezamos nos outros. Nosso modo de tratar e compreender a vida, o amor, os relacionamentos abortados logo que perigam se tornarem reais, tudo isso tem se tornado rotineiro, esperado, pré-concebido.
Quando nos vemos trocando likes, deixando de seguir perfis, criando personagens virtuais e ideais para sermos aquilo que queríamos ser. Quando nos deparamos com gente que nos exclui de suas vidas com a mesma facilidade que bloqueiam usuários que lhes desagradam. Quando tudo isso parece identificar todo mundo, a identidade pessoal e individual de cada um se esconde correndo o risco de se perder. Aí percebemos que pior do que frases já em desuso, pior do que o lugar-comum é quando nós, enquanto gente, estamos nos tornando banais. O clichê já não se resume à expressões verbais, o clichê somos nós.

quarta-feira, 30 de março de 2016

DESMORONAMENTOS

Por: JESSY ALMEIDA


E tem dias que eu simplesmente desmorono.
Quando as máscaras já não servem para disfarçar quem eu realmente sou.
Quando a gentileza e a amargura se dissolvem e se transformam em exatamente nada.
Quando o amor e o ódio deixam de fazer sentido.
Quando não sei escolher entre acabar com tudo ou recomeçar do zero.
Eu vou apenas desmoronando, caindo aos pedaços lentamente, afundando no poço de mágoas, angústias e frustações,que vem me prendendo a anos.
As lágrimas chegam como uma tempestade, trazendo à tona emoções que ainda não sei lhe dar.
São nesses dias que eu reconheço quem eu realmente sou, quais meus desejos e planos mais secretos.
O que mais me assusta em dias como esses são as dúvidas que insistem em me atormentar onde quer que eu vá.
E na minha cabeça fica a pairar sempre a mesma pergunta: " Desisto para sempre ou sigo tentando e gastando o resto das minhas forças?"
Tem dias que eu simplesmente desmorono, é que não dá para ser forte o tempo todo.

terça-feira, 22 de março de 2016

DESABAFO DE UM CORAÇÃO PARTIDO

Por: Jessy Almeida


Sabe meu bem, perdi a conta de quantas vezes lhe perdoei, quantas vezes você veio com seu jeitinho carinhoso, suas palavras doces e seus falsos pedidos de desculpas que em nenhum momento recusei.
Acho que você não sabe, mas eu me sentia culpada todas as vezes que você partia me deixando para trás, me sentia culpada por erros que nem se quer eram meus. E a cada volta tua no meu peito pulsava a esperança de que dessa vez você fosse ficar, que dessa vez eu ia poder consertar tudo, nem sabia eu que não havia mais conserto.
Hoje eu finalmente compreendo que o amor é um sentimento lindo e puro e que pessoas vazias jamais o carregaram consigo. Quando se ama de verdade não há espaço para mentiras.
Mas sabe de uma coisa meu bem?
Eu não lhe culpo por nada disso, pois sei que o desconhecido nos assusta e o primeiro impulso que temos é fugir. Você fugiu de mim, fugiu do meu amor, pois para você nada daquilo era familiar.
Não pense que eu lhe odeio, o ódio é um sentimento muito pesado para um coração tão leve quanto o meu. Apenas fico triste por você que talvez passe o resto da vida fugindo do desconhecido, sugando sentimentos à procura de algo que nem ao menos sabe o que é.
Hoje eu encontrei a paz que eu tanto procurava, sigo feliz daqui por diante, pois tenho certeza que não importa quantas vezes meu coração seja partido eu sempre serei capaz de amar, amar a todos que me cercam, desde o mais simples dos seres até as pessoas mais próximas de mim.
E tenha certeza de uma coisa meu bem, amar em excesso não é defeito, e sim uma dádiva, dádiva essa que pessoas vazias só poderão supor do que se trata.

domingo, 20 de março de 2016

A CASA É TÃO GRANDE E AINDA CHOVE

Por Carlos Belo
Foto: Carlos Beo


Eu costumo criar espaços.Organizar meus livros, CD's e verdades. As histórias todas, meus escritos, resenhas e diários de bordo, as senhas de meus cartões, os papéis de embrulho, as cartas, poucas e  sentimentais. Costumo arrumar meus filmes preferidos, meus poemas, balangandãs, amuletos, moedas da sorte. As palavras todas que ouvi, palavras que ainda pairam no ar, grandes demais, pesadas demais. As mentiras todas que ouvi, as tardes de espera, os telefonemas e cada SMS recebido. O conforto às vezes me assusta. Vamos acumulando essas coisas todas e a vida vai se transformando em uma casa cada vez maior, criamos novos cômodos, anexos, porões, quartinhos, dispensas. O medo do desapego é muito grande e, talvez por isso guardamos o que não existe mais. Guardamos pesos desnecessários, acúmulos doentios de quem não permaneceu, quem decidiu partir, quem escolheu sair de nossa vida. Guardamos os frascos vazios e vamos desperdiçando o perfume suave e único que acalanta a nossa vida. A casa é grande, mas ainda chove. chove lá fora, lá onde existe vida, ar, renascimento. E janelas abertas permitem que a chuva me toque, chegue até mim. A chuva aparece como fertilizante no solo seco e empoeirado de minha vida. É preciso se molhar, lavar a alma, sentir o poder da renovação. Eu me permito o desapego, por excesso de bagagens, a chuva me ensina a evitar os fardos desnecessários, os mortos que carrego em vão. Ainda chove, ainda existe a  novidade, possibilidades, mudança de cores, amores, mudança de casa, talvez. Estou de mudança, não por achar a casa pequena, mas o mundo lá fora tem mais cor, não quero a segurança de arquivos mortos, quero a dança sutil da água caindo em mim, dançar na chuva  viver sem muita bagagem, levar só o que necessito para nunca esquecer quem eu sou e para onde nunca devo voltar.

terça-feira, 15 de março de 2016

DOCE ROTINA

Por: JESSY ALMEIDA


Eu acendo um cigarro e observo enquanto a fumaça some no ar.
Eu coloco mais uma taça de vinho e o degusto lentamente para que o momento se prolongue por mais alguns instantes.
Eu leio um livro, eu ouço aquelas músicas.
Doce rotina criada para afastar a solidão, para preencher o vazio deixado por você.
Eu ando pelas as ruas dessa cidade tediosa a procura de alguma diversão, de algo que acalme o meu coração tão cansado.
Procuro seu rosto em outras pessoas, alguém que tenha seu sorriso, brinco de ser feliz e sorrir.
Talvez um dia eu me habitue com a sua ausência e com a vida morna que venho vivendo.
Não diria que estou feliz, há em mim uma amargura quase impossível de ser escondida, mas pelo menos essa dor já não me é tão cruel como era antes.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

ESTAÇÕES, SILÊNCIOS E SABEDORIA

Por Carlos Belo


Foto: Carlos Belo

Que a vida é um belo trem, daqueles que passam depressa, daqueles que permitem as chegadas e os encontros, abraços e amores, mas também as idas, promessas de retorno, despedidas e saudades. A vida é esse seguir sempre. movimento, incompletude, vontades. Cabe a nós a ousadia de querer viajar, de não se contentar com apenas parte da história. Temos dores e sofrimentos, mas temos o aprendizado, o silêncio que ensina, que fortalece, tem o comtemplar o caminho e cada um que passa por nós. Na correria da vida, muitas vezes é necessário parar. voltar-se para o caminho já percorrido, libertar-se de culpas, medos, ódios e preencher-se de amor, mansidão e agradecer o mistério que é viver.
Eu quero amar, identificar no outro as qualidades e defeitos que permitam o encontro, o abraço, o calor de quem também está na luta de não ser apenas um mero passageiro dessa viagem. Eu quero a delícia das coisas mais simples, como disse o poeta. Quero vez enquando parar para desocupar espaços, doar livros e roupas, reorganizar meus pertences, descobrir o que de fato me pertence. Quero a surpresa de poder perdoar, de encontrar gente que tenha tempo para um café sem exageros literários. Quero falar em poesia sem ao menos pensar em acadêmicos e seus tolos desejos de medir a sabedoria, A sabedoria que inexiste nos livros. Sabedoria é diferente, é essa coisa tímida que respeita os passarinhos, acha graça no passar dos relógios e nos permite caminhar com o coração leve e alma iluminada.

P.S.: Esse texto resume minhas impressões da Leitura de "O pequeno filósofo" de Gabriel Chalita.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

AME TAMBÉM MEU LADO RUIM

Por: JESSY ALMEIDA


Amar alguém na balada de sábado a noite é muito fácil,onde todos estão com suas melhores roupas, seus melhores sorrisos e com suas melhores máscaras.
Eu só me permito ser amada por alguém que vá muito além de tudo isso.
Para me amar é preciso aprender amar o caos que se encontra em mim. Tem que me amar não só quando estou feliz e fazendo todos a minha volta rirem, mas também quando não estou bem, com raiva do mundo e sem a menor vontade de sair de casa. Tem que amar minha risada escandalosa, meu tom de voz exagerado e minhas noites de porre.
Para me amar tem que aprender a me amar nas segundas feiras de ressaca, com a maquiagem borrada e o cabelo bagunçado. Tem que amar quando sou carinhosa, falo "Eu te amo" e te abraço com carinho, mas também tem que me amar quando "chuto o balde", perco o controle, te mandando sumir da minha vida e coloco tudo a perder.
Aprendi, ao longo desses anos, com amores passageiros, que só vale apena se doar para amores que não tentam me mudar e não cobram perfeição onde nunca existiu.
Repito, amar alguém na balada de sábado a noite é muito fácil, quero ver amar alguém a vida inteira com todos os defeitos existentes em um ser humano.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

QUANDO O AMOR VACILA

Por Carlos Belo
Foto: Carlos Belo
 
O amor também vacila. Muitas vezes caímos nos braços do erro, da ilusão, da aventura. Mesmo sendo amor, mesmo sendo amados e amando. Cabe a nós a capacidade de permanecer. Acredito que esse ato corajoso é o maior sinal de rebeldia conta o sistema de relacionamentos descartáveis que se propaga por aí. PERMANECER, assim mesmo! Gritando, mesmo quando a suavidade da brisa for substituída pela rebeldia dos ventos, mesmo quando as águas estiverem mais agitadas. O amor também vacila. E precisamos, se há, de fato, amor, preparar nosso coração para a permanência. Amar a si mesmo, de início. Perdoar a si mesmo quando o dano maior for ao nosso próprio peito. E na maioria das vezes as desventuras do amor atingem intensamente a nós mesmos mais do que aos outros. As lutas que cada um vive, os obstáculos que todos nós temos, as fraquezas que sempre escondemos do mundo mas que todas as noites nos fazem companhia. Por tudo isso, o vacilo do amor merece ser perdoado. Precisamos, não porque sejamos bonzinhos, oportunizar o amor. O amor anda em ameaça constante de extinção pela falta de disposição nossa ao outro e a nós mesmos. Errar parece-nos um ato insustentável,  ninguém quer se ferir. E todos procuram correr para outros amores. Esse é o motivo maior do perdão, não permitir que erros alheios se tornem fonte de erros para nós, não permitir que possíveis falhas nossas se tornem senhoras de nossa alma. Somos feitos de liberdade. Respiremos. Abracemos a vida e permitamos o erro, a falha mas sobretudo o recomeço.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A ÚLTIMA CARTA

Por: JESSY ALMEIDA




Um dos momentos mais difíceis na vida de uma pessoa é quando chega-se a hora de dizer adeus a alguém que se ama. Dizer adeus a todos os momentos vividos, a todos os planos, aos sonhos e ao sentimento que de alguma forma ainda se mantém vivo. Por fim em algo que já não brilha tanto e que tão pouco traz alegria como antes.
Por mais que isso doa em mim agora, finalmente entendi que não se pode viver uma vida inteira a espera de um passado que não volta. O que temos para viver é o hoje mesmo que triste e com algumas dificuldades, viver o hoje com esperança de um amanhã melhor e lembrando com carinho do ontem, mas tendo certeza que nada volta e que não podemos mudar o passado.
Vou sentir sua falta confesso, porém, compreendi que se continuasse do seu lado só iria me ferir e te ferir ainda mais. Resolvi partir antes que destruísse todas as lembranças lindas que ainda temos, se é que não já destruí.
Quero que saiba que eu te amei, cada segundo que passei do teu lado eu te amei e é por te amar que te deixo livre de mim como todos os meus defeitos e loucuras.
Por fim levo apenas uma certeza: Somos mais felizes quando aceitamos os pontos finais do que quando ficamos procurando razões para adia-los.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

APEDREJAI A TI MESMO

Por Carlos Belo
 
Um livro forte, que nos faz parar para observar a vida da personagem/narradora mas também parar para observarmos a nossa vida. Pontos importantes são postos a nossa frente: quem somos, nossos sonhos mais antigos, planos que se desviaram, rotas alteradas, sorte ou a falta dela. Paulo Coelho sempre me transmite uma energia positiva em seus escritos, uma fé na humanidade, um desejo de mudar, de começar com pequenas práticas diárias de permissões para que as bênçãos do universo recaiam sobre mim.
Foto: Carlos Belo
 
Adultério nos mostra o lado mecânico da sociedade atual, como li em algum lugar: estamos nos transformando em homens-formiga. Marchamos obedientes em fileiras organizadas seguindo um código de conduta pré-estabelecido, já sabemos quais serão as palavras que usaremos, já temos o enredo de nosso destino. Mas onde ficam nossos sentimentos? Nossos instintos humanos e muitas vezes irracionais? Vivemos também em tempos de fachadas sociais. Casamentos eternamente felizes, famílias estruturadas, carreiras brilhantes, fotos lindas no Instagram. Vãs tentativas de esconder quem realmente somos, nós e nossos vazios, nossos silêncios e monstros. A personagem sai em busca de si, e nessa busca encontramos o significado de família, ética, dinheiro, fama, amor e sobretudo, a importância do perdão. Perdoar a si mesmo, se permitir viver sem culpa de sermos quem somos, abraçar a vida que é uma menina a correr sem medo de possíveis quedas. Aceitar também o perdão que o outro nos oferta, mesmo sem nunca precisarmos confessar nossos erros. Perceber que somos amados, que  existem pessoas que nos conhecem sem precisarmos falar onde erramos e que estão dispostas a nos amar mesmo assim.
Erros todos nós cometemos, mas erros são necessários no aprendizado. É com muitas quedas que se faz uma bailarina. Mas a beleza da dança final só é possível para aqueles que ousam ir adiante. A queda é inevitável, mas permanecer caído é opcional. Todos nós somos adúlteros quando traímos a nós mesmos, nossos princípios, nossas escolhas, quando deixamos de lado nossos sonhos, quando deixamos nos corromper pela doença do comodismo ou da vaidade que cega e acorrenta nossa liberdade. Precisamos de pedras, como nas narrativas bíblicas, apedrejar toda e qualquer forma de reducionismo humano, de "coisismo", de acomodação doentia. Apedrejar as aparências e convenções sociais, todos os decretos normativos. Precisamos da livre e deliciosa experiência viva de buscar o que nosso coração deseja.
 
"Amar abundantemente é viver abundantemente. Amar para sempre é viver para sempre. A vida eterna está atrelada ao Amor." (Adultério, p. 173)
 
Livro citado:
 
COELHO, Paulo. Adultério. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

DOCE ILUSÃO

POR: JESSY ALMEIDA


Hoje quando acordei notei que faltava algo em mim. Ao me olhar no espelho notei que as marcas de uma noite mal dormida estavam evidentes no meu rosto, olhos de quem chorou até pegar no sono.
Na minha cabeça existem varias perguntas que talvez continuem sem repostas.
Onde errei? Será que sentes minha falta? Será que ao menos lembra de mim?
Desde o dia que você partiu nós tentamos seguir caminhos diferentes na esperança de encontrar -mos o que nos faltava, uma felicidade ainda desconhecida por ambos,tentamos ser fortes e fizemos um acordo de não nos falar-mos, mesmo que as coisas ficassem difíceis e a saudade nos torturasse em silêncio.
Não sei se você ainda pensa em mim ou se sente minha falta, não sei se pensa em me ligar ou se arrependeu-se de ter partido. Aparentemente está tudo bem com você, a vida seguiu facilmente sem minha companhia.
Quanto a mim?
Bem, eu continuou passando noites em claro, pensando na gente e nos momentos vividos.
E no fundo trago comigo uma doce e cruel ilusão de que um dia você irá querer voltar para mim.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

DESEJOS ÍNTIMOS

POR CARLOS BELO
FOTO: CARLOS BELO
 
 
Eu quero poder tomar meu café amargo. Quero poder ler meus livros que ainda esperam pacientes o tempo ocioso que nunca vou ter. Quero poder tomar um vinho, quebrar garrafas, prisões, quebrar protocolos. Quero pisar na grama, mesmo que isso seja proibido. Tenho necessidade de vida. os protocolos me matam. Minha alma é livre mas ainda não viu de fato a tal liberdade.
Eu quero poder tomar meu café amargo. Quero guardar meus livros, ler quando der na telha. Chamar algum amigo pra ir pro mato ouvir o céu estrelado e ver o sussurro dos ventos. Desejo a desordem das coisas, quero eu mesmo, do meu modo, organizar meu submundo. As coisas já definidas foram escolhas sem consulta, camisas de força jogadas em mim. quero a Loucura! Quero a delícia da bagunça no quarto, Quero dias de organização, desejo sentir o sabor da palavra verdadeira, do verbo bem vivido e conjugado no tempo que eu achar necessário.
Poder tomar meu café, amargo como sempre, mas adoçar se achar necessário, quebrar as xícaras todas, guardar todos os vinhos, beber todos os livros, sentir o cheiro da grama e proibir que se proíba pisar nela. Aliás, o verbo proibir pode ser muito perigoso, sou favorável à criação de um manual de instruções do verbo proibir.  
Quero manhãs de ressaca, literárias ou não. viagens sem pressa, sorrisos largos, cafuné, quero gente de verdade. Gente que me ajude a pesquisar receitas de bolo, roteiros, que me ajude a decifrar sonhos, me ajude a sair do padrão. Para longe de mim os padrões! Quero poder dizer minhas verdades, voltar quantas vezes eu precisar; não voltar nunca, se for o caso. Quero o silêncio, o barulho em seus momentos. Quero poder tomar meu café amargo e poder deixar meu pensamento vadiar nas doces tramas de minh'alma.

domingo, 24 de janeiro de 2016

DIANTE DE MIM TEM UM EU

POR CARLOS BELO

Meus primeiros 23 dias de 2015 contaram com a presença forte, sutil, doce e áspera, mas sobretudo misteriosa de Clarice Lispector e seu A paixão segundo G.H. Falar de Clarice para mim não é fácil, é muito atrevimento. Antes de tudo, deixo registrado que não pretendo fazer nenhuma análise literária, nada profissional, sou amador, atrevido, encantado e com vontade de deixar guardado meu pensar, a reflexão que este livro me proporcionou.
FOTO: Carlos Belo
Uma sequência de 191 páginas. Poderia ser uma leitura fácil, rápida, sem necessidade de longos 23 dias. Mas é CLARICE! Um livro escrito de dentro pra fora, num rasgar-se em emoção, questionamentos, dúvidas, palavras. Ler Clarice é sempre um ato de infiltração no íntimo de nós mesmos, no livro aqui referenciado há um discurso ousado e a própria G.H. nos "Obriga" a adentrar naquele discurso, mãos entrelaçadas, leitor e narrador. Me vi preso naquele quarto, pasmado diante de uma barata e diante de uma vida, de tantas vidas que habitam em mim. um infinito de mistérios que todos nós carregamos. Diante de mim, um livro. Diante de mim, um eu. Ler Clarice vai além de ler um texto, isso o deixaria sem sentido. É um ato de se permitir o devaneio, se jogar sem medo da queda. E atentar para o espaço entre o pulo e o contato com o chão, o milagre acontece nesse espaço, no intervalo imperceptível mas presente, que ninguém faz questão de notar.
A leitura me deixou inquieto: tradição, costumes, aparências, vida social, submundos, religiosidade, ah, Clarice me ajudou a desorganizar o que eu mesmo já desorganizara antes do vir a ser conceito para mim: Um Deus criado pelo homem com funções definidas e especificidades voltadas ao próprio interesse humano.
É uma leitura que provoca, inquieta, uma barata prestes a adentrar em nossa boca. Além do que os outros enxergam, o que há em você? Quem é você? Qual sua função no mundo e qual o sentido do mundo? Estamos sempre presos a esperança de um dia melhor, esperamos a salvação, esperamos o céu. Adiamos as urgências, despreparados para o que desejamos, vamos deixando para frente, empurramos sempre para o amanhã. Deixar-se viver. Presente. Agora. Sem buscar palavras certas, sem dar nomes, sem esperanças. Agora. A vida é urgência. viver é essa coragem louca de deixar romper-se e extrapolar toda e qualquer (DE)limitação.