quinta-feira, 5 de novembro de 2015

SOBRE ESTRADAS



POR CARLOS BELO




“uma estrada é deserta por dois motivos: por abandono ou por desprezo.”

Podemos usar esse verso de Bandeira para fazermos uma ponte com a vida do homem-ilha contemporâneo, cada vez mais esquecido de si mesmo, pasmo diante da tela de uma nova invenção. E são tantas as invenções que o homem termina perdido de si mesmo, caindo no esquecimento, o desprezo parece inevitável decreto da tecnologia que insiste em cada vez mais despir o homem de sua sacralidade. Sacralidade esta que chamamos de humanidade. Parecem conceitos controvertidos: humanidade e humanização, mas merecem nosso cuidado. Estamos em risco iminente de perdermos a sensibilidade, a fragilidade própria de nossa condição humana. Somos ensinados a nunca revelar nossas fragilidades e desprezar as fraquezas do mundo, o poeta ao contrário do que nos ensinam, faz das fragilidades humanas objeto de criação, valor imensurável para que o encantamento aconteça. O poeta procura o divino no meio da fragilidade humana.

Um comentário:

Socorro Melo disse...


Uma reflexão bem oportuna. Chega a assustar esse descaso do homem consigo mesmo.


Paz e bem!
Socorro Melo