POR CARLOS BELO
“uma estrada é deserta por dois motivos: por
abandono ou por desprezo.”
Podemos usar esse verso de Bandeira para
fazermos uma ponte com a vida do homem-ilha contemporâneo, cada vez mais
esquecido de si mesmo, pasmo diante da tela de uma nova invenção. E são tantas
as invenções que o homem termina perdido de si mesmo, caindo no esquecimento, o
desprezo parece inevitável decreto da tecnologia que insiste em cada vez mais
despir o homem de sua sacralidade. Sacralidade esta que chamamos de humanidade.
Parecem conceitos controvertidos: humanidade e humanização, mas merecem nosso
cuidado. Estamos em risco iminente de perdermos a sensibilidade, a fragilidade
própria de nossa condição humana. Somos ensinados a nunca revelar nossas
fragilidades e desprezar as fraquezas do mundo, o poeta ao contrário do que nos
ensinam, faz das fragilidades humanas objeto de criação, valor imensurável para
que o encantamento aconteça. O poeta procura o divino no meio da fragilidade
humana.
Um comentário:
Uma reflexão bem oportuna. Chega a assustar esse descaso do homem consigo mesmo.
Paz e bem!
Socorro Melo
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