sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

PENSAMENTOS DE JANELA

POR CARLOS BELO
foto: Carlos Belo

Que a vida não é estática. Estático é o estado de não-vida, de ausência de humanidade. A vida é esse circo que fixa sua tenda por certo período, temporadas em uma estação. E vive-se, ou pelo menos deveria, no êxtase de aproveitar a brevidade de cada momento. Encontrei muita gente em meu caminho, e tudo que vivi até aqui são acúmulos de experiências, gente que armou sua tenda junto aos meus solos sagrados, gente que assim como eu estava a percorrer seus itinerários e cumprida a missão logo partiriam para terras ainda inexploradas. O circo apita, como trem em sinal de partida, fluidez. Leve sensação de dever cumprido. Experimentar as maravilhas de pertencer ao mundo, e não ser dono dele. Fluidez. Irmandade. Essa é a meta, desafio, necessidade nossa para traçarmos um caminho pessoal. Felicidade no processo de chegadas e partidas. Mas, assim como os artistas circenses, necessitamos de outros, compreendendo sempre que nessa vida os vínculos podem ser desfeitos e não poderemos impedir o fluir. Encontraremos, no entanto, ao menos uma alma amiga e irmã e a ela estaremos ligados mesmo que separados. Nosso riso poderá ser pausado, mas nada impedirá nossa alegria por termos alguém na vida.

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