POR CARLOS BELO
“Num lugar como
Auschwitz, onde tudo é projetado para fazer chorar, o riso é um ato de
rebeldia.”
Peço
licença para falarmos de minha última leitura: A Bibliotecária de Auschwitz, do espanhol Antonio G. Iturbe que faz com maestria um
incrível relato, baseado em fatos reais, sobre a juventude de Dita Dorachova,
uma menina que fez a diferença em meio ao sofrimento e aos absurdos da Segunda
Guerra Mundial. A obra é best-seller na Espanha e vencedora do prêmio espanhol
Troa Libros, na categoria “Livros com valor”, já foi publicada em 11 países.
Através
das descrições do espaço físico, os cenários bélicos, a poética da dor presente
no contexto é possível sentir um calafrio de horror diante dos fatos que a
humanidade não pode apagar: a grande carnificina que foi a Segunda Guerra
Mundial. Nesse contexto, a presença de Edita
Dorachova se faz notável, uma contradição, um pequeno milagre em meio ao caos.
Um povo que perde seus bens, suas casas, e vai sendo destruído aos poucos,
vidas abreviadas. Seres humanos que se tornam objetos, máquinas.
Toda
a narrativa acontece dentro de Auschwitz, especificamente no Bloco 31,
exclusivo para crianças e no Bloco familiar. Ali as coisas não eram nada fáceis
e a cada dia a situação se agravava, toda semana chegando novos judeus, vindos
de diversas regiões da Europa, alimentos cada vez mais escassos, falta de água,
carência em todos os aspectos, mas, sobretudo carência de humanidade.
A
leitura vai nos mostrando a importância dos Livros na vida de Edita, que com a
ajuda de um professor, se torna a grande figura do bloco 31: A Bibliotecária.
Trabalhando na clandestinidade, em um lugar onde os livros eram extremamente
proibidos, Edita reúne oito livros que são usados diariamente para
entretenimento e educação das crianças judias ali trancafiadas, aos poucos
surgem alguns professores que colaboram com o projeto e por conhecerem bem
alguma obra literária se tornam “livros vivos”, enriquecendo o acervo da
pequena grande biblioteca.
“A vida, qualquer
vida, dura muito pouco. Mas se conseguimos ser felizes, ao menos por um
instante, terá valido a pena.”
Um
hino à Liberdade, assim podemos chamar “A Bibliotecária de Auschwitz”, um livro
cheio de emoção, realidade, poesia, silêncios. Um exemplo para nós que muitas
vezes queremos ajudar, colaborar com o bem comum e por motivos banais
desistimos. Edita teve muito medo, sempre! Mas o amor pelos livros, pela
educação, pela humanidade foi maior que o medo e ela enfrentou todos os
obstáculos para poder cumprir com excelência sua missão. É impossível
não sofrer um pouco com ela, não torcer para que as coisas melhorem, não chorar, no final da
leitura, quando o fim da guerra é anunciado, é impossível não guardar um pouco
de Edita no coração. Fica a sugestão de leitura, até a próxima!
Referência: ITURBE, Antonio G. A
bibliotecária de Auschwitz: Um romance baseado numa hitoria real. Tradução
Dênia sad. 1. ed. Rio de janeiro: Agir, 2014.


Um comentário:
Olá, Carlos!
Já fiquei emocionada com o seu relato. Lembrei-me de uma história parecida, que também tem como cenário Auschwitz, na II Guerra, e penso que talvez você já tenha lido, O Diário de Anne Frank. São relatos emocionantes e de uma grandeza ímpar.
Só não consigo entender porque a humanidade não aprendeu ainda que a guerra não compensa. Temos, na atualidade, situações tão dramáticas e assustadoras quanto as da época da II grande guerra, infelizmente.
É agradável te ler, Carlos, você escreve muito bem.
Grande abraço
Socorro Melo
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