E como que em ciclos, a vida das xícaras um dia se renova. Sim, hoje falaremos de xícaras, esses misteriosos copos alados que nos ajudam a aquecer o coração e o espírito.
Todo mundo tem sua xícara preferida, xícara é diferente de copo, criamos uma intimidade com ela, um relacionamento, uma reciprocidade. Talvez o calor do café, o cheiro, o propósito, tudo nos convida para uma pausa, como Deuses que sussurram em nossos ouvidos a hora certa de parar, nem que por breves minutos para que o sagrado se reorganize em nós.
Nossa relação com a vida pode ser compreendida em um café sem muitas pretensões filosóficas. Nossos corações muitas vezes machucados por um mundo que parece nos engolir em miséria, desumanidade, dor e pressas. Nós que optamos pelas flores, pelo vento suave, pela palavra e seu poder de cura. Nós que escolhemos profetizar o amor e lutar por ele.
Mas vez ou outra nossa xícara, como que por um propósito do destino, se quebra, levando consigo o laço íntimo de tantos cafés, chás, pausas, calor e acolhida. Como pequenos remédios que se foram levando os silêncios que outrora preencheram nossos vazios. Nossa missão recomeça: buscaremos outras xícaras, outras pausas, outros cafés. Um ciclo de poder, um ensinamento breve que nos aponta o efêmero da vida, que, assim como as queridas xícaras, nós também mudaremos as rotas um dia, os que amamos um dia não poderão mais ficar. Mas todo momento que nos fez perceber a grandeza de sermos quem somos tem o poder de se eternizar em nós. Vamos seguir com xicaras, cafés, lembranças e amores. Somos feitos de breves momentos despretensiosos. a vida é.

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