quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

GRAFIAS E INFINITOS PARTICULARES

POR CARLOS BELO


É da folha em branco que surge a vida literária, branco, luz, clarão, parto. Sem a luz a fotografia não existiria, é a luz que possibilita o registro fotográfico. Fotografar é escrever com os olhos, procurando a linguagem simbólica, emotiva, crua e muitas vezes ilusória. Assim como a folha em branco dá ao escritor a liberdade para criar infinitas possibilidades, tramas, verdades, mentiras, amores e ódios a fotografia também carrega essa enorme bagagem de possibilidades, fotografia é vida em cenas, e vida é polifonia de vozes que contam a mesma história através de bocas diversas.

FOTO: CARLOS BELO

A delicadeza é o que faz que dá poesia às coisas. E às vezes essa delicadeza vem de forma bruta nas mãos do artesão que faz de seu ofício instrumento de poesia. Tecendo os fios de um novo trabalho ele tece a própria vida, se entrelaçando entre um nó e outro, vai se desfazendo, se esquecendo de sua condição humana e efêmera. Tornar-se eterno, criador e deus de sua própria arte parece inevitável, e realmente é. O eterno é aquilo que há de mais delicado e contraditório na humanidade.

 

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