É da folha em branco que surge a vida
literária, branco, luz, clarão, parto. Sem a luz a fotografia não existiria, é
a luz que possibilita o registro fotográfico. Fotografar é escrever com os
olhos, procurando a linguagem simbólica, emotiva, crua e muitas vezes ilusória.
Assim como a folha em branco dá ao escritor a liberdade para criar infinitas
possibilidades, tramas, verdades, mentiras, amores e ódios a fotografia também
carrega essa enorme bagagem de possibilidades, fotografia é vida em cenas, e
vida é polifonia de vozes que contam a mesma história através de bocas
diversas.
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| FOTO: CARLOS BELO |
A delicadeza é o que faz que dá poesia às
coisas. E às vezes essa delicadeza vem de forma bruta nas mãos do artesão que
faz de seu ofício instrumento de poesia. Tecendo os fios de um novo trabalho
ele tece a própria vida, se entrelaçando entre um nó e outro, vai se
desfazendo, se esquecendo de sua condição humana e efêmera. Tornar-se eterno,
criador e deus de sua própria arte parece inevitável, e realmente é. O eterno é
aquilo que há de mais delicado e contraditório na humanidade.

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