POR CARLOS BELO
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FOTO: CARLOS BELO |
Eu não quero a sorte de um amor tranquilo. Amores tranquilos são amores mortos, onde não existe mais possibilidades, onde a expectativa já não cabe. Amor tranquilo é amor sem o desafio do recomeço diário, amor tranquilo é ilusão de porto, de segurança e solidez. Eu aprendi que amor não é isso. Amor é o ato louco, insano, desgastante de se lançar aos ventos. Um exercício que exige doação, mas sobretudo um exercício que exige cuidados e exige também a disposição do outro. Poucos são os loucos, poucos são os dispostos, poucos são os que abrem mão de seus egoísmos e suas mentiras. Ah, a mentira, um veneno perigoso, muitos se perdem no labirinto de inverdades, fazem do amor alheio um jogo de interesses para beneficiamento próprio. Os mentirosos são os piores amores, pois não se deixam conhecer, não conhecem ninguém, são rasos ao extremo, superficiais, incapazes de lançarem seus barcos ao mar tempestuoso. Querem a sorte de um amor tranquilo. Eu busco um amor que me inquiete, me provoque, faça crescer. Onde há tranquilidade não há vida. A vida é movimento, agitação, incertezas. Eu quero a sorte de um amor. daqueles que chegam desarmados, cara limpa, verdades, disposição para ficar e conquistar o outro todos os dias. Quero a sorte de um amor que possa, na inquietude própria de si, me deixar pleno, completo, cheio de mim. Um amor que me ajude a caminhar para dentro. Porque para fora todos já caminham. Vivemos nessa fuga de nós mesmos e talvez por isso a maioria busca um amor tranquilo. Nessa tranquilidade se escondem, criam suas farsas e personagens, não sentem dor, não se desgastam, evitam a exposição e podem correr facilmente quando o outro deixar de corresponder às expectativas. Eu só Quero a sorte de um amor. A tranquilidade eu deixo para os amores mortos, abortados, naufragados nas marés das circunstâncias de quem não teve coragem de enfrentar o mundo.

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