POR CARLOS BELO
Conectados cada vez mais, distantes e esquecidos também, eis o paradoxo de nossa sociedade. O amor já tem nascido morto, sem expectativa de vida, no cinza de nossas cidades, no frio das teclas de um computador ou na tela de nosso celular.
Vivemos em uma época de muito contato virtual, muita conversa, muito "amoronline" e pouco amor real. conhecemos muita gente e não conhecemos ninguém. É fácil conectar, stalkear, ser crush, mudar de interesse, esquecer perfis.
Cada vez mais conexão, aliás, morremos de medo de ficarmos sem internet, sem bateria, deixar de postar. Precisamos curtir zilhões de fotos de pessoas que nunca vimos, nem temos pretensão de conhecer, precisamos adicionar, seguir pessoas, excluir e deixar de seguir, entrar em grupos, sair deles, escolher emogis de "amei" quando na verdade não temos o mínimo interesse na vida alheia.
A máquina tem assumido o comando de nossa rotina: acordamos com o despertador do celular, vamos trabalhar ouvindo músicas nele, no intervalo é hora do WhatsApp, na hora do almoço tem mais um pouco de internet, dormir só depois de passar horas conversando nas redes, olhando quem curtiu o quê, quem seguiu quem, que foto teve mais likes.
O contato humano tem se tornado distante, as pessoas dizem que te amam mas quando você marca um encontro com elas e corre para um abraço a reação é de estranhamento: estamos esquecendo a utilidade do contato físico, estamos perdendo o costume de beijar nossos pais, de enlaçar um amigo, de deitar no colo, de sentir o calor de alguém. Tenhamos cuidado, o amor necessita de olhos próximos e corações dispostos. Usemos a tecnologia a nosso favor, fiquemos sim conectados, próximos, mas com pé no chão, preparados para a vida real. Que nossos braços estejam sempre prontos para doar calor ou ajuda, que nossa alma esteja sempre livre para contemplar uma flor e sentir a brisa suave que sussurra em nossos ouvidos a canção eterna e silenciosa que embalou nossos ancestrais.

Um comentário:
"...O amor precisa de olhos próximos e corações dispostos..."
Hoje em dia isso tá raro, vejo pessoas sentadas lado a lado e conversando entre si sem abrir a boca!
Belíssimo texto! ����
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