POR CARLOS BELO
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| Foto: Carlos Belo |
Inconformados com o mundo clichê. Necessitamos de originalidade. Pluralidade. Assim é ditada a lei do mundo contemporâneo. Vivemos sob a mira ditadora de pessoas cada vez mais virtuais que reais. Estamos cada vez mais obedientes à máquina, estamos perdendo a beleza de sermos humanos e falhos, frágeis, inconstantes, singulares.
A intolerância reflete o medo de vermos na ação do outro a nossa imagem. O outro que ainda ousa quebrar as regras, que ainda não aderiu por completo aos desejos unificadores da massa. O outro que erra, que diz frases já muitas vezes ditas por tantas outras bocas, escritas por outras tantas mãos.
Queremos o novo e a diversidade é a bandeira sagrada da tecnojuventude, tememos o lugar-comum, somos sedentos por gente nova, redes sociais, desapegos e ainda trocamos likes.
Nossa pluralidade, entretanto, tem nos massificado e nos tornado aquilo que desprezamos nos outros. Nosso modo de tratar e compreender a vida, o amor, os relacionamentos abortados logo que perigam se tornarem reais, tudo isso tem se tornado rotineiro, esperado, pré-concebido.
Quando nos vemos trocando likes, deixando de seguir perfis, criando personagens virtuais e ideais para sermos aquilo que queríamos ser. Quando nos deparamos com gente que nos exclui de suas vidas com a mesma facilidade que bloqueiam usuários que lhes desagradam. Quando tudo isso parece identificar todo mundo, a identidade pessoal e individual de cada um se esconde correndo o risco de se perder. Aí percebemos que pior do que frases já em desuso, pior do que o lugar-comum é quando nós, enquanto gente, estamos nos tornando banais. O clichê já não se resume à expressões verbais, o clichê somos nós.

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