segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

DESEJOS ÍNTIMOS

POR CARLOS BELO
FOTO: CARLOS BELO
 
 
Eu quero poder tomar meu café amargo. Quero poder ler meus livros que ainda esperam pacientes o tempo ocioso que nunca vou ter. Quero poder tomar um vinho, quebrar garrafas, prisões, quebrar protocolos. Quero pisar na grama, mesmo que isso seja proibido. Tenho necessidade de vida. os protocolos me matam. Minha alma é livre mas ainda não viu de fato a tal liberdade.
Eu quero poder tomar meu café amargo. Quero guardar meus livros, ler quando der na telha. Chamar algum amigo pra ir pro mato ouvir o céu estrelado e ver o sussurro dos ventos. Desejo a desordem das coisas, quero eu mesmo, do meu modo, organizar meu submundo. As coisas já definidas foram escolhas sem consulta, camisas de força jogadas em mim. quero a Loucura! Quero a delícia da bagunça no quarto, Quero dias de organização, desejo sentir o sabor da palavra verdadeira, do verbo bem vivido e conjugado no tempo que eu achar necessário.
Poder tomar meu café, amargo como sempre, mas adoçar se achar necessário, quebrar as xícaras todas, guardar todos os vinhos, beber todos os livros, sentir o cheiro da grama e proibir que se proíba pisar nela. Aliás, o verbo proibir pode ser muito perigoso, sou favorável à criação de um manual de instruções do verbo proibir.  
Quero manhãs de ressaca, literárias ou não. viagens sem pressa, sorrisos largos, cafuné, quero gente de verdade. Gente que me ajude a pesquisar receitas de bolo, roteiros, que me ajude a decifrar sonhos, me ajude a sair do padrão. Para longe de mim os padrões! Quero poder dizer minhas verdades, voltar quantas vezes eu precisar; não voltar nunca, se for o caso. Quero o silêncio, o barulho em seus momentos. Quero poder tomar meu café amargo e poder deixar meu pensamento vadiar nas doces tramas de minh'alma.

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