sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

QUANDO O AMOR VACILA

Por Carlos Belo
Foto: Carlos Belo
 
O amor também vacila. Muitas vezes caímos nos braços do erro, da ilusão, da aventura. Mesmo sendo amor, mesmo sendo amados e amando. Cabe a nós a capacidade de permanecer. Acredito que esse ato corajoso é o maior sinal de rebeldia conta o sistema de relacionamentos descartáveis que se propaga por aí. PERMANECER, assim mesmo! Gritando, mesmo quando a suavidade da brisa for substituída pela rebeldia dos ventos, mesmo quando as águas estiverem mais agitadas. O amor também vacila. E precisamos, se há, de fato, amor, preparar nosso coração para a permanência. Amar a si mesmo, de início. Perdoar a si mesmo quando o dano maior for ao nosso próprio peito. E na maioria das vezes as desventuras do amor atingem intensamente a nós mesmos mais do que aos outros. As lutas que cada um vive, os obstáculos que todos nós temos, as fraquezas que sempre escondemos do mundo mas que todas as noites nos fazem companhia. Por tudo isso, o vacilo do amor merece ser perdoado. Precisamos, não porque sejamos bonzinhos, oportunizar o amor. O amor anda em ameaça constante de extinção pela falta de disposição nossa ao outro e a nós mesmos. Errar parece-nos um ato insustentável,  ninguém quer se ferir. E todos procuram correr para outros amores. Esse é o motivo maior do perdão, não permitir que erros alheios se tornem fonte de erros para nós, não permitir que possíveis falhas nossas se tornem senhoras de nossa alma. Somos feitos de liberdade. Respiremos. Abracemos a vida e permitamos o erro, a falha mas sobretudo o recomeço.

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